Amigos andam de mula até Aparecida


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Muleiros de Ibiraci e Franca cavalgaram ontem pelas ruas de Ibiraci antes de se juntarem aos cavaleiros de Paraíso
Muleiros de Ibiraci e Franca cavalgaram ontem pelas ruas de Ibiraci antes de se juntarem aos cavaleiros de Paraíso
Uma tradição de 20 anos mantém viva a fé de um grupo de cavaleiros das cidades mineiras de São Sebastião do Paraíso, Ibiraci e Itamogi. Todos os anos eles percorrem 564 quilômetros até o Santuário de Aparecida do Norte (SP) com um propósito: agradecer pelas graças recebidas durante o ano. A distância não seria tão longa se fosse percorrida de ônibus, carro ou moto. Mas esse grupo de corajosos usará mulas como meio de transporte. Os 22 cavaleiros, que formam o Clube do Cavalo Selvagem, sairão às 10 horas deste domingo de Paraíso. A “aventura” dos amigos começou em 1986 e nunca mais parou. Valdeir Marques de Souza, 46, faz parte do grupo desde o início. Hoje ele é o guia e ainda leva o filho de 11 anos junto. “Sou muito devoto de Nossa Senhora Aparecida e esse é um sacrifício que faço por tudo que ela me proporcionou”, disse ele. A previsão é que a viagem dure 10 dias com pouco mais de 50 quilômetros percorridos por dia em meio a fazendas. Paradas só duas vezes ao dia, ou para os animais beberem água nos rios e córregos que encontrarem pela frente. Para que as mulas agüentem o trajeto, passando por 19 municípios, é feito o revezamento entre os animais. “Cada cavaleiro leva um animal de apoio que faz a substituição a cada dia”, disse Souza. Mas não tem moleza. Mesmo a mula que está em seu dia de descanso tem de andar. De caminhão, só vão o cozinheiro, os mantimentos e os “pertences” dos aventureiros. “Ele vai na frente para preparar a comida. O que o caminhão percorre em 20 minutos a gente demora 3 horas. Então quando chegamos a comida está quentinha”, brinca. E por falar em comida, não poderia ser diferente. No cardápio, arroz à carreteiro, feijão tropeiro e carne-seca. As mulas recebem ração. SACRIFÍCIO Para Souza e os amigos, o sacrifício de percorrer 564 quilômetros no lombo de uma mula vale a pena. “No fim compensa. O que vale é nossa fé”, afirmou. Em Aparecida, o grupo recebe a benção do padre e assiste a duas missas. O retorno para casa começa no dia seguinte. Diferente da ida, a volta é feita de ônibus fretado em Paraíso. As mulas, já cansadas de tanto cavalgar, voltam de caminhão. “Não dá para voltar, fica muito longe. Por mais que as mulas sejam fortes, é muito cansativo”, concluiu.

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