Sendo Igreja de Jesus Cristo estamos na preparação da solenidade do santo Natal. Nas ruas é possível perceber a atmosfera do Natal que invade o comércio e nossos sonhos. O nosso interior também deve se preparar para a celebração do nascimento do Salvador.
O tempo litúrgico desta preparação se chama Advento. É um tempo que nos ajuda a ter consciência: Deus é Pai e libertador. Ele convida a cada um de nós, seus filhos, a se levantar e perceber que a libertação está próxima. O nascimento de Cristo e sua missão constituem o acontecimento central da história da salvação. Cada vez que participamos da celebração eucarística revivemos a presença de Deus que é Pai libertador, que salva em Cristo Jesus.
A palavra de Deus que será proclamada nas missas do segundo domingo do advento é muito bonita e rica de significado que vem estimular nossa vida de fé.
A primeira leitura é um trecho do livro do profeta Baruc. Os versículos que compõem a leitura são uma mensagem de esperança endereçada a Jerusalém despojada de seus filhos. O texto recorda um período triste em que os habitantes de Judá e da capital foram levados para o cativeiro na Babilônia. Então se pergunta: teria Deus abandonado definitivamente o seu povo?
O profeta anima aquele povo triste através da figura das roupas gloriosas e esplendoras que vem de Deus para revestir o seu povo. A cidade é chamada a vestir o manto da justiça que Deus lhe oferece. Jerusalém recebe a ordem de se levantar do pó onde está sentada cheia de dor, a subir a um lugar elevado e contemplar o alegre retorno de seus filhos, pois Deus se lembrou deles.
Da leitura aprende-se esta lição: Deus é maior que todas as crises e tragédias humanas. Deus não abandona seus filhos, mas os reconduz para as fontes da vida.
A segunda leitura é um trecho da carta aos Filipenses e nos ensina que o amor e o discernimento preparam a vinda de Cristo. A Carta aos Filipenses é uma coleção de três bilhetes que Paulo escreveu a essa comunidade. O texto da missa de hoje pertence à segunda comunicação de Paulo. A oração de Paulo é marcada pela alegria proveniente da participação da comunidade na difusão do evangelho desde o primeiro dia até o presente momento, quando ele está na cadeia. Sua oração é ação de graças a Deus pela perseverança da comunidade e pela solidariedade que a caracteriza. Paulo faz somente um pedido: “que o amor de vocês cresça sempre mais em todo conhecimento e clareza”. Para crescer, o amor requer discernimento. O discernimento leva a escolher, no amor, o que é melhor para todos. O amor gera a santidade.
O evangelho narrado por São Lucas afirma que a salvação é para todos.
São Lucas apresenta o caminho de Jesus. Seu caminho é diferente. Inicia com João, filho de Zacarias, no deserto. O deserto evoca uma forma diferente de viver. João prega um batismo de conversão para o perdão dos pecados. O batismo era o sinal que marcava o novo início. Faz-se necessário voltar atrás, aceitar a novidade que está para chegar, a fim de ter vida e liberdade. João anuncia com ênfase: “todo homem verá a salvação de Deus”. Ele quis mostrar que o caminho de Jesus é proposta aberta a todos, desde que se convertam e endireitem o próprio caminho para serem salvos.
Portanto, este é o tempo oportuno da graça de Deus para retomar o caminho, para mudar o que ainda nos afasta de Deus e buscar a vida nova, vivenciando o amor.
PE. JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral Sé de Nossa Senhora da Conceição.
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