Pedintes ‘disputam’ esmolas no Centro


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Rapaz sentado na calçada da Rua Major Claudiano, no Centro de Franca
Rapaz sentado na calçada da Rua Major Claudiano, no Centro de Franca
Sentados nas calçadas, nos bancos das praças, sujos, debaixo de chuva e sol e olhados com receio pela população. Essa é a situação dos pedintes e moradores de rua de Franca, que muitas vezes são “atropelados” pela correria do dia-a-dia e até pelos próprios governantes. Dados da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social coletados no final do ano passado revelam que existem em Franca cerca de 73 pedintes e moradores de rua. Um ano depois, a Prefeitura e a Secretaria não têm os números atualizados, mas devem ser maiores, pois basta andar pelo Centro ou nas principais avenidas da cidade para “esbarrar” com pedintes. A proximidade das festas de fim de ano e o recebimento do 13º salário também ajudam nesta alta, segundo Adair Carvalho, administrador do Abrigo Provisório. “Nessa época do ano o número de pedintes costuma aumentar 15%. Entra ano, sai ano, isso sempre acontece desse modo”. Na avaliação de Carvalho, o número de pessoas que pedem esmolas não deve ter sofrido um aumento significativo de 2005 para este ano. “Acredito que não mudou muito e tenha se mantenha estável em 70 pessoas. Essa situação só muda agora, por causa do Natal. Muita gente de fora vem para Franca para pedir”, acrescentou. O Abrigo tem capacidade para 57 pessoas. Mas, de acordo com Carvalho, já chegou a receber mais de 60. “Não há um limite. Vamos colocando colchões conforme a necessidade”. O administrador informou ainda que deve iniciar uma campanha na segunda-feira, nas imediações da Estação, para tentar retirar pedintes do local. “Os comerciantes estão reclamando muito da presença dessas pessoas. Estou segurando 14 moradores de rua no Abrigo para tentar amenizar o problema, mas não sei até quando vou conseguir”. Os pedintes e moradores de rua podem ser encontrados nas portas das agências bancárias, das lojas, supermercados e até na Catedral Nossa Senhora da Conceição. Sentados, sujos e algumas vezes exalando um forte odor, estendem suas “latinhas” e até as próprias mãos à espera de uma moeda. “Eu consigo ganhar apenas R$ 5 por dia. Com esse dinheiro, eu compro comida”, disse o ex-servente de pedreiro, Tiago Marques, 22. Em Franca há três meses, vindo de Passos (MG), Marques não conseguiu emprego e vive pedindo esmola e dormindo nas proximidades da Praça Dom Pedro II, na região central. As histórias de vida são diversas: alguns são dependentes químicos, outros foram abandonados pelas famílias e alguns usam essa alternativa como forma de complementação de renda. “Com esse trabalho de aproximação que estamos desenvolvendo, detectamos que os problemas que levam as pessoas para as ruas são enormes e por isso os casos têm de ser resolvidos separadamente”, explicou a diretora da rede de Assistência Social, Dalva Deodato Taveira. Abandono Vindo da região Norte do País, aos 11 anos de idade, Francisco Ferreira de Souza, 84, mora nas ruas de Franca há mais de 30 anos, normalmente ele fica na porta da Catedral Nossa Senhora da Conceição. “Desde que minha esposa morreu eu vim para as ruas. Não tinha mais ninguém para cuidar de mim. Vi o Centro dessa cidade crescer”, disse. Boa parte das pessoas que dividem as ruas e calçadas com os pedintes são solidárias e acabam ajudando, enquanto outras apenas lançam um olhar rápido e seguem seu caminho. “Eu me sinto incomodada por não poder ajudar. Queria ter condições de ajudar todos eles. É o mínimo que podemos fazer, já que os governantantes não fazem a sua parte”, disse a dona de casa, Norma Aparecida Ferraro da Silva, 68.

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