O solo de 16 áreas na região de Franca, todos terrenos onde há ou havia um posto de combustível, está contaminado. A lista com os endereços foi divulgada pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) com base nos registros até maio de 2006 e mostra que os problemas ocorreram em decorrência de acidentes ou vazamentos durante os processos produtivos, de transporte ou de armazenamento dos produtos.
A maioria é contaminação antiga, mas que ainda passa por trabalhos de recuperação. Somente em Franca, são sete localidades. Na região, as áreas se dividem entre Batatais, Guará, Ipuã, Ituverava (2), Miguelópolis, Orlândia, São Joaquim da Barra e São José da Bela Vista. Atualmente, as contaminações são menos freqüentes.
Os estabelecimentos estão se adaptando às novas exigências, entre elas, trocar os tanques com mais de 15 anos de uso. Além disso, os tanques mais novos são ecológicos, têm parede dupla, com espaço de cerca de 5 centímetros entre uma e outra, e sensores para vazamentos.
De acordo com o gerente regional da Cetesb, Francisco Setti, a extensão da contaminação e seus riscos só são determinados a partir de investigação detalhada realizada pelo próprio estabelecimento. “O que temos visto, na prática, é que a contaminação fica restrita à área do posto ou um pouco mais”.
O caso mais grave e mais recente é do Cire Auto Posto, na Avenida Champagnat em Franca, que foi interditado pela Justiça em 13 de novembro por contaminação do lençol freático. O proprietário tem até o próximo dia 15 para entregar um relatório dos danos causados ao solo e o projeto para resolução do problema.
“Os riscos dependem da pluma de contaminação. Se atingir os lençóis freáticos oferece riscos para quem tiver contato com o líquido. No solo, a pessoa que cultivar vegetais, plantas ou árvores frutíferas também corre riscos”, explicou Setti.
Em nenhuma das áreas há riscos de explosão. O tempo de recuperação de uma área é variável, depende do poluente e do nível de contaminação. Segundo o gerente regional da Cetesb, pode variar de 60 dias a 5 anos.
No Posto Santos Dumont, de Franca, localizado na avenida de mesmo nome, houve um rompimento de um flexível (peça que liga a bomba ao tanque) que despejou diesel no solo. O incidente aconteceu há quatro anos e até hoje os serviços de correção continuam no local.
“Várias perfurações foram feitas no solo para monitoramento, inclusive do outro lado da rua já retiramos 80% do combustível. Os equipamentos evoluíram e, hoje, se houver um novo rompimento do flexível, há uma caixa de contenção debaixo da bomba”, revelou o proprietário Célio Rolzão.
No Posto São Jorge, também em Franca, o processo de descontaminação do solo já dura um ano e é feito por uma empresa especializada do Rio de Janeiro. “Estamos na fase final e temos consciência de que é um trabalho valioso, um investimento que precisa ser feito em favor do meio ambiente”, destacou a proprietária Meire de Oliveira Mazza. No local, o vazamento de combustível ocorreu em razão da fragilidade dos tanques.
Segundo Francisco Setti, a detecção de um maior número de áreas contaminadas está ligada ao aumento de investigações.
“Tivemos um crescimento de 30% em relação à última pesquisa.
Estamos fiscalizando todos os postos e os que apresentam contaminação damos um prazo para o processo de remediação”.
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