Dispara o consumo da pílula do dia seguinte


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Aparecida Brás junto ao marido Sebastião: casal optou por não ter filhos e já recorreu à pílula do dia seguinte por, pelo menos, quatro vezes
Aparecida Brás junto ao marido Sebastião: casal optou por não ter filhos e já recorreu à pílula do dia seguinte por, pelo menos, quatro vezes
A venda da pílula contraceptiva de emergência, mais conhecida como “pílula do dia seguinte”, já é considerada pelos farmacêuticos um dos medicamentos mais consumidos em Franca. A reportagem do Comércio realizou um levantamento informal em 24 drogarias da cidade. Apenas nestes estabelecimentos são compradas, em média, 170 pílulas a cada dia. “Aumentamos nossas vendas em cerca de 30% em relação ao ano passado. Vendemos mais de 1 mil unidades por mês na rede”, destaca o farmacêutico Fabrício Pedroza, da Droga Farma. Os consumidores, de acordo com farmacêuticos, são em sua maioria, jovens, solteiras, com idade entre 15 e 25 anos. E a maior parte das vendas está concentrada nas farmácias que ficam da região central e próximas às universidades. “Mas o uso já é comum entre mulheres casadas, que vez ou outra precisam utilizar esse recurso”, completa Fabrício. Para adquirir a pílula não é preciso prescrição médica. Basta saber o nome do produto - no mercado existem cerca de 30 marcas - e solicitar no balcão. O medicamento é vendido a partir de R$ 14. Segundo o médico ginecologista Cleomar Borges de Oliveira, a pílula não deveria ser utilizada habitualmente e só receitada por médicos, devido à alta dosagem de hormônios. “São os mesmos hormônios da pílula convencional, mas com uma dosagem super e deveria ser usada apenas em caso de abuso sexual e naqueles em que uma gravidez pode ocasionar riscos à saúde da mulher. Infelizmente não é isso que está acontecendo”. Borges alerta que o uso indiscriminado da pílula pode causar danos irreversíveis ao organismo da mulher. “Elas são hormônios que competem com ovários e quando o organismo passa a suprir essa necessidade, os ovários vão ficando desativados e tendem a atrofiar. Quando a pessoa resolve ter filhos, pode ter dificuldade para engravidar”. A sapateira Aparecida Alves de Jesus Brás, 44, não pensou nos riscos. Casada há 16 anos, ela e o marido Sebastião Brás optaram por não ter filhos. Há seis anos, seu médico orientou uma pausa nas pílulas anticoncepcionais comuns e ela precisou recorrer à “pílula do dia seguinte”. Não se arrependeu. O medicamento fez efeito e ela usou por mais quatro vezes. “Passei mal do estômago, mas foi melhor assim. Se precisar, tomo de novo”. Diferente de Aparecida, a secretária Ana Cláudia Soares, 20, utilizou a pílula uma única vez e garante que nunca mais toma de novo. “Minha menstruação adiantou. Parecia que tinha abortado. Fiquei com um peso enorme na consciência”. Cleomar Borges disse que não se pode considerar que a pílula é abortiva, se ingerida até 72 horas após a relação sexual. “Se aplicada dentro do período chamado útil da pílula, não vai haver a concepção. A rejeição vai ocorrer através da menstruação”.

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