Em meio à pior crise de sua história, com dívidas de R$ 55 milhões, produção parada há 52 dias e enfrentando um complicado processo de recuperação judicial, a Calçados Samello inaugurou, na segunda-feira, a ‘Mega Loja Samello’ para tentar vender as sobras da produção deste ano. São pelo menos 12 mil pares comercializados até pela metade do preço tradicional de varejo. O objetivo inicial da empresa é manter as portas abertas somente até o dia 28, mas a diretoria não descarta a possibilidade de prolongar o prazo.
A loja é bonita, toda em piso frio, com pintura nova e adaptações próprias para um varejo de calçados, como bancos (em mármore) para que os clientes experimentem os produtos. O prédio, que é alugado, está localizado na Avenida Doutor Hélio Palermo e conta com uma área de vendas de aproximadamente 500 metros quadrados. No momento em que a reportagem estava no local, quatro clientes observavam os sapatos.
Sete funcionários são responsáveis pelas vendas. Segundo o gerente comercial, Gilmar Novaes, são todos temporários, contratados por 30 dias. “Não havia por que contratar em definitivo. O objetivo da Mega Loja é torrar os estoques que restaram ao longo do ano, de Franca e da Paraíba. Já fizemos isso no ano passado, no shopping. Depois, fecharemos de novo as portas”, disse Novaes, que, no entanto, não descartou a possibilidade de prorrogar as atividades. “Tudo dependerá da procura.”
Com as fábricas paradas desde 16 de outubro, o estoque para a montagem da Mega Loja veio das sobras de produção. “Sempre que se tira um pedido é produzido um pouco a mais por garantia. Assim, ao longo do ano, sobrou esta quantidade. São calçados de primeira linha, que atendem ao mercado interno e exportação, vendidos praticamente a preço de custo”, disse.
Um par de calçados da Samello, em média, chega ao consumidor com preços acima de R$ 200. No varejo, estão sendo vendidos a partir de R$ 69 o masculino e R$ 29 o feminino. Os modelos mais caros, para ambos os sexos, custam R$ 129. “Esperamos vender entre 4 e 5 mil pares até o dia 28.”
OLHO VIVO
O diretor do Sindicato dos Sapateiros, Sebastião Ronaldo de Oliveira, disse que o desempenho da Mega Loja será acompanhado de perto pela entidade. “Disseram que o primeiro dinheiro que entrasse seria para pagar funcionários. Então, 4 ou 5 mil pares, a R$ 50 que seja cada par, já dá para pagar muita gente. E o sindicato vai cobrar.”
Oliveira garantiu, ainda, que o sindicato está à procura de compradores para os imóveis disponibilizados pela Samello para o pagamento das rescisões contratuais dos 390 funcionários dispensados. “Creio que em poucos dias arrumaremos compradores.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.