Moradores de bairros periféricos e sem asfalto são obrigados a conviver com ‘minivoçorocas’, barro e muito lixo. As fortes chuvas dos últimos dias prejudicaram ainda mais a situação das ruas esburacadas, deixando alguns moradores presos dentro da própria casa. A reportagem do Comércio percorreu alguns desses bairros, como Cambuí, prolongamento do Santa Bárbara, Simões e Ana Dorotéia, e observou que a reclamação dos moradores é unânime. “A Prefeitura só faz promessas, mas o nosso asfalto nunca saiu do papel. Moro aqui há dez anos, e até hoje continuo esperando”, desabafou o aposentado e morador do Cambuí, Agripino Gonçalves Barbosa, 56.
Buracos com aproximadamente um metro de profundidade, postes de energia pendidos pela falta de asfalto, poças de água e muita sujeira são cenas tembém comuns em outros bairros da periferia. “Aqui nós temos todas as dificuldades possíveis. Sair de casa quando está chovendo é praticamente impossível. Além disso, a sujeira acumulada ajuda na proliferação de cobras, ratos e baratas”, disse o pedreiro João Bernardo de Souza, 45, morador do Ana Dorotéia.
O descaso do poder público, além de impedir o direito de ir e vir de cada cidadão, algumas vezes coloca em risco a vida dos moradores. É o caso do borracheiro Reginaldo Marques, 32, residente na Rua Isabel Guilherme, no Jardim Simões. O filho dele, Guilherme, 4, sofre crises convulsivas e algumas vezes o atendimento da ambulância foi prejudicado pelo estado da rua.
OUTRO LADO
Moradores dos 16 bairros que ainda não possuem asfalto em Franca terão de esperar mais algum tempo pelo “tão sonhado” asfalto. A secretária de Obras, Valéria Marson, disse que as obras de recuperação só serão realizadas se a chuva cessar. A questão é que o período chuvoso só termina em março. “Se eu passar a máquina na terra molhada, a situação fica ainda pior. Tenho de contar com uma melhora do tempo para iniciar os trabalhos de recuperação das ruas. Espero que na próxima semana eu possa fazer isso”, disse.
A secretária não soube precisar quantos quilômetros ainda faltam para serem asfaltados nem qual o valor dessa obra. Aos moradores resta esperar a chegada da estiagem e criar medidas alternativas para amenizar os problemas. “Eu pego terra e entulho de outros locais e jogo para tapar os buracos, só assim consigo sair da minha casa”, afirmou o pedreiro Marcos Paulo Corrêa, 40, morador do Cambuí.
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