O que as escolas “Sérgio Leça Teixeira”, “Lúcia Gissi Ceraso” e “Adalgisa S.José Gualtieri” têm em comum além de serem da rede estadual? Simples. Descobriram que a leitura não precisa mais ser uma “tortura” para os alunos. E, melhor ainda, que os estudantes podem até mesmo escrever um livro.
Depois de muito incentivo dos professores e diretores, os alunos dessas escolas perceberam que os livros não foram feitos para ficar nas estantes das bibliotecas. Pelo contrário, quanto mais próximo estiverem, melhor. O resultado foi que eles também se tornaram escritores, com livros editados, alguns com todos os detalhes que são apresentados nos livros comercializados, como informações para catálogo sistemático, orelhas e folha de rosto. Prova de que educação e cultura andam lado a lado.
No Sérgio Leça Teixeira, escola do Jardim Aeroporto III, o livro chama-se Lamentos de uma Árvore e outros Contos. Foi escrito pelos alunos da 6ª série, sob a coordenação da professora Lucélia Aparecida da Silva. Ela enviou um projeto para a diretoria de ensino no início do ano e, com a aprovação pela Secretaria Estadual de Educação, recebeu uma verba para ser gasta ao longo do ano com atividades de estímulo à leitura. O resultado é um livro de 58 páginas, com 18 textos de 15 alunos.
Impresso pela Ribeirão Gráfica e Editora, o livro foi ilustrado pelas próprias crianças, que leram os textos dos colegas e fizeram desenhos a partir deles. “Desde o começo o meu objetivo era estimulá-los a escrever contos. Mas, antes disso, passamos por todos os gêneros literários. O resultado foi ótimo. Ler é muito difícil para eles, então temos que motivar. E foi o que fizemos. A leitura não pode ser uma obrigação, mas um prazer”, disse. Para marcar o “lançamento” do livro, que ficará na biblioteca da escola e será doado para outras instituições do bairro, foi feita uma pequena cerimônia na própria escola.
O projeto da escola “Lúcia Gissi Ceraso”, do Jardim Noêmia, envolveu todos os alunos (420) e foi desenvolvido em parceria com a CTBC, dentro do programa “Acontecendo na Escola”. Esse programa é desenvolvido desde 2004 e tem a ajuda de duas voluntárias da CTBC. Existem três iniciativas dentro de um mesmo projeto: Clube de Leitura, Clube da Correspondência e Rádio-escola. No Clube da Leitura, os alunos têm acesso a livros dentro da sala de aula e, a cada dia da semana, lêem um texto diferente. No Clube da Correspondência, alunos das quartas séries trocam cartas com os voluntários da CTBC durante todo o ano e aprendem a escrever cartas, fazem visita aos correios e até entrevista com os carteiros. A Rádio-Escola tem programas feitos por todos os alunos e transmitidos em três horários dentro da própria escola. O resultado de todo esse trabalho é a produção de texto pelos próprios alunos a partir do que foi vivenciado. Alguns desses textos foram compilados no livro Tempo de Ler, Ouvir e Contar Histórias que, segundo a diretora Roberta Gomes Fernandes, terá uma segunda edição em 2007.
No caso da escola “Adalgisa”, Parque Progresso, o projeto foi desenvolvido pela professora Rita Mozetti. Depois de trabalhar temas como meio-ambiente e reciclagem dentro da sala de aula, ela resolveu estimular os alunos a escreverem seus próprios textos. O resultado foi a coletânea Nossas Histórias, lançada em uma tarde de autógrafos na livraria Pórtico Cultural. Segundo Rita, foi um trabalho que demandou uma união muito grande da escola e dos pais dos alunos. “Fiquei muito feliz. Até os alunos que tinham mais dificuldade de leitura e escrita participaram do projeto”, disse. “Isso mostra que a escola pública também pode fazer muito por seus alunos”, completou.
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