O provedor da Santa Casa de Franca, Onofre de Paula Trajano, promete deixar a diretoria da instituição no começo do próximo ano. Até o final de dezembro, deverá ser publicada a convocação para eleição da nova diretoria e Onofre garante que não participará. Oficialmente, ele deixa o cargo em 13 de fevereiro de 2007 - data prevista para que a nova diretoria assuma - mas deve se afastar de suas funções antes do previsto, já que planeja tirar férias em 3 de janeiro. A partir daí passará o comando do hospital ao vice-presidente, José Cândido Quimionato.
Esta não é a primeira vez que Onofre promete deixar o comando da Santa Casa, mas, desta vez, garante que não mudará de idéia. “Minha decisão é irrevogável. Não há a mínima possibilidade de continuar na Santa Casa. Já dei a minha contribuição.”
O Hospital do Câncer também está fora dos planos de Trajano para 2007. Ele continuará na direção do hospital só até o término das obras da ala infanto-juvenil. A entrega está prevista para fevereiro.
Trajano assumiu a direção da Santa Casa em 12 de janeiro de 2004. Durante todo o tempo em que esteve à frente da instituição, ameaçou sair várias vezes, reclamando de desgastes para conseguir verbas e controlar as dívidas e o déficit operacional. Hoje a dívida da Santa Casa está em torno de R$ 22 milhões e o déficit operacional (prejuízo) chega a R$ 900 mil mensais.
Quando Onofre assumiu, a dívida era de R$ 16 milhões. A diferença, Trajano atribui às inúmeras contas em atraso e indenizações trabalhistas que surgiram durante sua administração. “Só de indenizações trabalhistas gastamos mais de R$ 1 milhão. Fora outras coisas que temos documentadas e que tivemos que pagar. Essa dívida era para estar em mais de R$ 40 milhões hoje.”
FINANCIAMENTO
A Santa Casa fechou no mês passado um financiamento de R$ 10 milhões no ABN-Amro. O pagamento será parcelado em 96 meses com juros menores que 1% ao mês.
A negociação garantiu à Santa Casa o pagamento de dívidas junto à CEF, a funcionários e fornecedores.
A operação, autorizada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), faz parte de um programa que financia as entidades filantrópicas integrantes do SUS (Sistema Único de Saúde). Para a transação, a Justiça autorizou que o terreno do Hospital do Coração fosse dado como garantia.
Apesar de já ter sido gasto no pagamento de dívidas, funcionários e fornecedores, o dinheiro, segundo Onofre Trajano, chegou em boa hora. “Tínhamos uma dívida muito alta com a Caixa, que nos cobrava juros absurdos. Tomamos prejuízos atendendo ao governo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pagamos juros ao banco que é do próprio governo”, reclamou.
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