Desde que o ex-presidente hoje senador eleito Fernando Collor se deu bem na “caça aos marajás”, virou moda a abordagem do tema. Tudo se repete com o mesmo discurso e sem qualquer rigor investigatório. Poucas vezes se procurou saber o que levou determinados funcionários aos salários considerados altos.
Bem faz o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Celso Limongi, ao definir que antes de cumprir o que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determina apenas com base em números, precisa fazer uma verificação caso-a-caso. Isso confere a necessária seriedade à medida futuramente adotada, seja qual for.
Altos salários são exceção. Antes de cortá-los é necessário saber se resultam de decisões judiciais, benefícios legais ou de fraudes. Só os fraudulentos podem ser imediatamente revistos num estado democrático de direito e, mesmo assim, ainda suscitam discussões.
Em vez de discutir os poucos que ganham muito, as autoridades deveriam estar preocupadas com os muitos que ganham pouco. Com toda a responsabilidade que levam sobre seus ombros, juízes, promotores e outros membros do Poder Judiciário não ganham exageros.
Aqueles que promovem a caça às bruxas, devem tomar cuidado para evitar que ocorra na Justiça o desestímulo e o êxodo de profissionais já reinante na estrutura policial paulista. Todo profissional tem o direito a salários dignos e legalmente respaldados. Não vamos nos contentar com um país de povo assistido pelas “bolsas-família” e outras esmolas oficiais. Os governantes têm a obrigação encontrar meios de geração e distribuição de renda digna.
TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (Apomi)
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