Câmara termina o ano em crise


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Acusações de Mambrini causaram verdadeiro “terremoto” e fazem a Câmara Municipal de Franca chegar à última sessão de 2006 em momento crítico
Acusações de Mambrini causaram verdadeiro “terremoto” e fazem a Câmara Municipal de Franca chegar à última sessão de 2006 em momento crítico
A Câmara Municipal de Franca realiza, nesta terça, sua última sessão ordinária de 2006. Um ano marcado por trapalhadas dos vereadores será encerrado ainda sob o abalo causado pelas declarações bombásticas que o presidente Marcelo Mambrini (PMN) deu em entrevista exclusiva concedida ao Comércio, na qual afirma que há negociatas para a aprovação de projetos na Câmara. Mambrini, se não reeleito daqui a duas semanas, deixa o comando do Legislativo da mesma forma como permaneceu nela: causando polêmica. A grande diferença, desta vez, é que as palavras do presidente causam transtornos não só para ele, mas também para todos os seus colegas e até para o Poder Executivo. Ao revelar uma suposta troca de favores entre o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) e sua base aliada e acusar o prefeito de manipular os vereadores, Mambrini abriu, no final de seu mandato, a maior crise desta legislatura. Quando usou um carro oficial para visitar sua mãe em Restinga, Mambrini arranhou apenas a sua imagem. Quando contratou de maneira discutível dois novos assessores parlamentares para a Câmara, arriscou-se a ter, ele mesmo, de arcar com os gastos extraordinários. Em ambos os casos, um simples “puxão de orelha” do Ministério Público resolveu o problema. Agora, o assunto não é tão simples. As declarações do presidente lançam dúvidas sobre a lisura do processo de aprovação de propostas na Câmara Municipal. A Câmara atual deixa a desejar na hora de contribuir de maneira significativa com a administração da cidade. No entanto, faltas éticas comprovadas extrapolariam o limite de tolerância da população que elegeu seus membros. Depois de denunciar fatos graves e reafirmá-los na tribuna da Câmara, o presidente se viu ilhado. Todos os demais companheiros se apressaram em negar qualquer tipo de negociata de votos. Ainda assim, foi necessária quase uma semana para que um deles, Marcelo Valim (PSDB), tomasse a iniciativa de pedir que o Conselho de Ética do Legislativo se incumbisse de questionar oficialmente as denúncias tão fortemente negadas. Valim acusa o presidente de ter quebrado o decoro parlamentar ao arranhar a imagem de todos os vereadores e, a partir desta semana, o Conselho vai julgar o mérito da acusação do tucano. À beira do recesso parlamentar, que começa no próximo dia 6 e vai até 31 de janeiro de 2007, o desafio do próximo presidente será devolver à Câmara Municipal a seriedade que dela se espera. A eleição será no dia 12 de dezembro. Na briga para ser o portador dessa missão, estão o próprio Mambrini e Joaquim Ribeiro (PSB), um dos vereadores mais atingidos pelas acusações do atual presidente. Antes de tudo o que Mambrini disse, Joaquim já contava com o apoio de pelo menos 12 de seus 14 colegas. Agora, com o terremoto causado por seu adversário na disputa, resta saber como ficarão os acertos anteriores.

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