Uma semana depois da matança de 300 pombos na Praça da Catedral, na área central de Franca, a morte misteriosa das aves ainda desperta a curiosidade e a indignação da população. A suspeita de que o extermínio tenha sido provocado por veneno de rato levou o 1º Distrito Policial a abrir inquérito para apurar o caso. Segundo o delegado assistente Luiz Carlos Almeida de Souza, no domingo passado foi feito um Boletim de Ocorrência no Plantão Policial. No dia seguinte, foram apreendidas dez garrafas com um líquido suspeito.
“Os objetos foram encaminhados para análise no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. O laudo deve demorar pelo menos 30 dias para sair. Antes disso não temos como saber a causa das mortes. Só depois da chegada do laudo é que iremos investigar a autoria. Acredito que mais de uma pessoa esteja envolvida na matança”, informou o policial.
Para o aposentado Artur Américo Ferreira de Menezes, 58, o atentado contra os pombos é uma grande crueldade. “Ouvi dizer que a carne dos pombos é rica em proteínas. Por que não fazem sopa para dar aos idosos dos asilos e crianças de creches? Matar do jeito que mataram é um crime. Deveriam achar um processo mais racional. Quem matou os pombos é um verdadeiro bandido”, desabafou.
Na opinião da vendedora de artesanato e brinquedos Rosemary Marques, 45, o extermínio foi “uma coisa muito estúpida”. “Desde que me entendo por gente os pombos sempre existiram nessa praça. Eles viraram ponto turístico. Além do mais, já estão urbanizados. Não tem como tirá-los daqui. O que fizeram foi uma maldade enorme”, afirmou.
O comerciante Ricardo Tornatore Nogueira, 44, disse que não é a favor da matança e que muitos idosos alimentam os pombos como uma espécie de terapia, pois desconhecem os riscos da transmissão de doenças pelas aves. “É preciso um controle populacional, mas não é possível aceitar que se judie dos bichinhos”.
Taxista há 22 anos, José Armando de Farias, 45, também vê com repulsa o extermínio. “Os pombos incomodam, pois são muitos. Não são dois ou três. Mas deveriam usar outros meios para expulsá-los”, concluiu.
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