Woo-Suk Hwang, coreano, veterinário, esse cara conseguiu enganar o mundo todo, incluindo a renomada revista de divulgação científica Nature. Em seu país, Hwang virou celebridade, ficando mais famoso até que Kim Yun-jin (atriz que interpreta Sun na série de TV Lost), quando anunciou que havia conseguido clonar embriões humanos para a extração de células-tronco. Além de fabricar gente em escala industrial, a pesquisa de Hwang poderia levar à cura de doenças degenerativas graves e de lesões na medula. Milhões de paraplégicos e tetraplégicos ao redor do mundo acreditaram que o Dr. Hwang lhes devolveria a mobilidade.
Balela! O veterinário que virou herói nacional por mais de um ano na parte sul da península coreana e consumiu milhões em verbas para pesquisa não passava de um grande charlatão.
Ex-colaboradores de suas “pesquisas” acabaram denunciando o “cientista” que falsificou resultados de seus estudos, além de aplicar métodos antiéticos nos procedimentos, como usar óvulos de cientistas de sua própria equipe.
A revista científica americana Science publicou em 2005 estudos do sul-coreano e passou por enorme constrangimento quando a maracutaia foi descoberta.
Esta semana, o editor-chefe da Science, Donald Kennedy, prometeu no site da revista que elaborará regras mais rígidas para impedir novas fraudes.
A revista publica apenas 8% das pesquisas submetidas à sua avaliação, mesmo assim, se faz necessário fechar ainda mais o cerco aos picaretas, que acabam prejudicando a ciência como um todo, pois recebem verbas estratosféricas que poderiam ser usadas em pesquisas sérias, que trariam verdadeiros avanços ao bem-estar da humanidade.
Revistas como Scientific American, Science, National Geografic, Nature, entre outras são revistas de divulgação. Não trazem os estudos completos em linguagem erudita, são dirigidas não apenas aos meios acadêmicos, mas por sua ampla circulação e tradição, dão visibilidade a pesquisadores do mundo todo que acabam se tornando celebridades. Muitos ganhadores do Prêmio Nobel foram descobertos não por revistas científicas específicas, mas por revistas de divulgação científica como essas (obviamente, depois, para se escolher os vencedores, se faz necessária uma análise mais profunda dos trabalhos). Ser capa da Nature, por exemplo, pode ajudar bastante uma universidade ou um pesquisador a receber verbas públicas ou privadas. É muito difícil chegar a ser matéria de uma revista dessas: ou o cara é uma grande cientista ou um picareta profissional (o caminho da picaretagem exige muito talento nessa área, não é fácil enganar os editores, mas é possível).
Bem, fraudes científicas estão por toda parte. Dos atores vestidos de médico que dão chancela a promessas miraculosas de cura da obesidade e da calvície aos “ETs” capturados pelo exército americano durante a Guerra Fria. É bom acreditar na ciência, mas ter pelo menos uma pontinha do pé atrás não faz mal a ninguém. Não se pode confiar cegamente em tudo que qualquer pilantra diz só porque está vestindo um jaleco branco.
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