A semana que passou foi muito agitada para a pequena Marcela de Jesus Galante Ferreira, bebê que nasceu com anencefalia (sem o cérebro) em Patrocínio Paulista. Ela teve duas paradas respiratórias, convulsões e voltou a respirar com a ajuda de aparelhos. Parou de mamar e de tomar sol. Mas também recebeu muitas visitas, ganhou roupinhas e tirou fotos. Uma dessas fotos foi para o Santuário de Aparecida do Norte, onde uma amiga da família pedirá para ser celebrada uma missa pela saúde da menina.
A mãe de Marcela, Cacilda Galante Ferreira, 36, disse que fez uma promessa para que a filha volte a respirar sozinha e a mamar. “Se eu conseguir levá-la para casa, vou até Aparecida do Norte com ela para agradecer”, disse a mãe, que continua se apegando na fé para suportar esses dias de angústia. “Mãe é assim mesmo: a nossa esperança é sempre a última que morre”.
Nesta semana, Marcela e a mãe também mudaram de quarto. No novo aposento tem TV e banheiro. “Aproveito para assistir as missas pela televisão”, disse. Cacilda não saiu do hospital desde o nascimento da filha, dia 20 de novembro, nem mesmo quando o bebê fez exame de tomografia em Franca. “Nunca fiquei tanto tempo fora de casa, estou com muita saudade. Mas vou continuar aqui com ela, não saio de perto dela”, disse. Para se distrair, a mãe disse que assiste TV e aproveita para escrever sobre o momento pelo qual está passando. “Anoto em um caderno tudo o que estou sentindo nestes dias e também rezo muito”.
As primeiras previsões dos médicos que tiveram contato com Marcela era de que ela não sobreviveria dois dias. Ao falar sobre as duas semanas de vida da filha, Cacilda disse que a Marcela continuará surpreendendo a todos. “Tenho fé que ela viverá por muito tempo”.
O pai de Marcela, Dionísio Justino Ferreira, 46, já não passa tanto tempo dentro do hospital. “Ele fica menos tempo agora porque precisa cuidar da fazenda”, disse Cacilda. O sustento da família é tirado da plantação de café, verduras e frutas. O casal tem duas filhas adolescentes que todos os dias visitam a irmã por quinze minutos. “Elas aproveitam enquanto o ônibus escolar não chega para virem até a Santa Casa”.
EXPLICAÇÃO MÉDICA
A pequena Marcela nasceu apenas com uma pequena parte do cérebro (tronco cerebral), que a mantém viva. Esse tronco é responsável por funções como respirar, pelo ritmo dos batimentos cardíacos e pelos reflexos para mamar. No decorrer desta semana, devido a seu crescimento, as poucas funções do tronco cerebral não foram suficientes para manter o bebê respirando sozinho. A partir de então, Marcela respira por aparelhos e não mama mais na mãe. “É como se os órgãos estivessem funcionando automaticamente, mas as duas paradas respiratórias que ela teve mostram que ela pode estar enfraquecendo”, disse o médico neurologista Danilo Bertoldi, que afirmou não ter como precisar o tempo de vida de Marcela.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.