Vizinho diz que paga para se livrar do lixo


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Adolfo Maniglia, vizinho de Ernesto, convive há anos com o problema do acúmulo de lixo na casa do catador. Por causa da invasão de insetos e do mau cheiro, ele tentou durante um ano vender o imóvel. Quando os futuros inquilinos conheciam o local, ficavam espantados com o lixão do Ernesto e desistiam. “Não conseguia nem vender nem alugar. Quando os meus clientes viam a quantidade de lixo e os problemas que podiam acarretar, rejeitavam qualquer proposta” diz. Apesar do bairro São José estar valorizado e em expansão, Maniglia teve que diminuir muito o preço do aluguel da casa para conseguir alugar. Para tentar acabar com o problema, Maniglia fez uma proposta a Ernesto há dois anos. Não adiantou. “Eu sou amigo dele e há muito tempo eu venho tentando acabar com o lixo. Há um ano ofereci uma ajuda de custo todos os meses para ele parar de ser catador e ele não quis”, disse. O vizinho já pagou um caminhão para tirar um pouco de lixo, mas na mesma semana novos entulhos apareceram. “Ainda estou disposto a colaborar. Se ele quiser pago novamente uma limpeza definitiva e o ajudo financeiramente por uns quatro meses”. Não é só Maniglia que torce para o dilema do lixo acabar. A maior parte dos moradores da rua está insatisfeita com a situação. “Isto é um problema de calamidade pública. Aqui em casa aparecem freqüentemente baratas, mosquito da dengue e escorpião. Também tive de arranjar um gato para comer os ratos que aparecem por aqui”, disse uma vizinha que não quis se identificar.

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