Um dia após vir a tona a denúncia de ter submetido duas pacientes a cirurgias de laqueadura sem a prévia autorização em 1999 e outras dez em 2002, o ginecologista e prefeito de Patrocínio Paulista, José Mauro Barcellos, preferiu se calar.
Ele disse por meio de sua assessoria de imprensa que não falaria sobre o caso. Em sua defesa, falou o advogado José Sérgio Saraiva, que afirmou que as denúncias são de cunho político, sem especificar nomes.
Além de todas as denúncias, Saraiva disse ainda que o prefeito foi acusado por uma das pacientes de ter cobrado por um exame de ultra-sonografia. “A cobrança foi feita porque o prefeito usou o aparelho dele. Na época (em 1999), a Santa Casa não tinha o equipamento para fazer ultra-sonografia e todos os pacientes eram encaminhados para Franca. Não me lembro do valor exato, mas acredito que tenha sido algo em torno de R$ 200. A paciente questionou a cobrança à Unidade de Controle do SUS e foi informada de que o exame é feito gratuitamente”, disse.
Inconformada, a paciente reclamou com o prefeito sobre a cobrança. “Para evitar aborrecimentos, ele preferiu devolver o dinheiro. A cópia do cheque que ele efetuou o pagamento foi anexada ao processo”, disse o advogado, sem explicar onde foi feito o exame, se na Santa Casa ou em consultório particular. Na Santa Casa ninguém foi encontrado para confirmar a informação.
Barcellos também é acusado de ter cobrado pela cirurgia de laqueadura de outras dez pacientes no ano de 2002. Sérgio Saraiva desmente. “Ele não fez essas laqueaduras. Na verdade, as pacientes foram submetidas a cirurgias na bexiga. O problema se deu na hora de anotar o código do procedimento que acabou tudo sendo registrado como cirurgia de laqueadura. O erro foi corrigido e toda a documentação já foi apresentada ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina”, ressalta.
Segundo o advogado, o que pesa nas acusações contra o prefeito são as duas laqueaduras feitas em 1999. “Essas ele realmente fez, mas ao contrário da denúncia, o Mauro teve autorização das pacientes. Tudo está documentado”, completa.
O caso começou a ser investigado há dois anos pelo procurador da República em Franca, João Bernardo. “Se for comprovado que ele é realmente culpado, poderá até mesmo perder o cargo de prefeito”, disse. Como Barcellos é prefeito e tem foro privilegiado, o processo foi encaminhado para o Tribunal Regional Federal. “O próximo passo será a apresentação da defesa do prefeito”, disse o procurador.
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