Entidades denunciam ‘desrespeito’ a médicos


| Tempo de leitura: 2 min
Representantes de entidades médicas se reuniram ontem e concluíram que a diretoria da Santa Casa de Franca tem “desrespeitado” os profissionais que prestam serviço no hospital. Horários de trabalho impostos e pelo menos uma demissão inexplicada são os problemas denunciados pelos médicos. Uma assembléia com cerca de 40 integrantes do corpo clínico do hospital foi realizada ontem e decidiu colocar em litígio os cargos dos médicos da Santa Casa. Isso significa que o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) recomendará a todos os seus associados que não assumam vagas abertas por demissões injustificadas. Vindos de São Paulo, participaram das discussões Desirê Calegari, presidente do Cremesp, Cid Carvalhaes, presidente do Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo) e Jorge Curi, presidente da APM (Associação Paulista de Medicina). Lavínio Camarim, conselheiro regional do Cremesp, e Marco Aurélio Piacesi, presidente do Sindicato dos Médicos em Franca, também acompanharam o debate que explicitou a insatisfação dos médicos com o modo de tratamento na Santa Casa. A reação política das entidades de representação dos médicos foi motivada essencialmente pela disposição da Santa Casa em mexer na carga horária de seus profissionais. Atualmente, os médicos do hospital cumprem um turno único de 12 horas por semana. Agora, o hospital exige que eles trabalhem quatro horas diárias, em turnos distribuídos de segunda a sexta-feira. A demissão do cirurgião Carlos Riad, delegado regional do Cremesp, também foi encarada com uma “afronta” ao Conselho. “Essa foi a gota d’água para a situação de truculência da mesa provedora da Santa Casa”, disse Desirê Calegari. Riad foi demitido depois de ser eleito presidente da Associação dos Médicos da Santa Casa de Franca, entidade recém criada que planejava dividir a administração do corpo clínico com a provedoria. Além disso, o cirurgião tem, na Justiça, uma ação trabalhista contra o hospital. “Recebi uma carta avisando a demissão uma semana depois de ganhar a eleição para a associação. Nem sei por quais das duas razões fui dispensado”, disse Riad. O Cremesp enviou um ofício ao MP (Ministério Público) do Estado pedindo interferência da promotoria em busca de uma avaliação do sistema de Saúde em Franca. O conselho utilizou casos de mau atendimento da Santa Casa como mais um argumento para uma ação do MP. “Se há problemas de atendimento, se há problemas financeiros, nós precisamos de um pacto com os médicos e não de açoitá-los”, reclama Jorge Curi. A convite do vereador Gilson Pelizaro (PT), que participou da reunião que precedeu a assembléia, uma audiência na Câmara Municipal de Franca deve ser realizada na próxima terça-feira. Dirigentes de entidades médicas e vereadores discutirão o impasse que ainda parece estar longe de ser resolvido.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários