Com uma dívida de R$ 55 milhões e sem produzir há 45 dias, a Calçados Samello ganhou um novo fôlego. Na sexta-feira, a Justiça francana aceitou o pedido de recuperação judicial da empresa, que terá, agora, dois meses para apresentar um plano de pagamento aos seus credores. Neste período, todas as ações e execuções judiciais de dívidas contra a Samello estão suspensas. Assim, os 390 funcionários dispensados no último dia 23, que ainda não receberam seus acertos, também terão de esperar.
A advogada da Samello, Simone Barros, disse que a empresa tem pressa, agora, para aproveitar a decisão judicial e retomar a produção. “Os diretores continuam empenhados em vender imóveis do grupo ou obter empréstimos bancários para se capitalizarem e reativarem a produção, até porque o crédito, nesta situação, costuma ficar muito restrito”, disse.
Todas as ações da Samello serão fiscalizadas pelo interventor Ernesto Volpe Filho, nomeado pelo Judiciário. Ele, que é contador, não terá participação nas questões administrativas da empresa, mas responderá por toda a área fiscal e contábil. “Caberá a Volpe fazer o canal de ligação entre a empresa e o juiz. Normalmente, são escolhidas pessoas experientes neste tipo de acompanhamento”, disse Simone. A reportagem do Comércio procurou por Volpe em sua residência, mas o mesmo não foi encontrado.
Procurado pela reportagem, o presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, disse que, a partir de agora, somente a advogada falará em nome da empresa.
A LEI
O próximo passo da recuperação judicial será a publicação, na próxima semana, da relação de credores da Samello no Diário Oficial. Em 60 dias, a empresa deverá apresentar um plano viável para a liquidação das dívidas. A seguir, caberá a uma assembléia formada pelos credores aprovar ou não a proposta. Se for rejeitada pela maioria dos integrantes, a Justiça decretará a falência da Samello.
ACORDO
O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, disse que se reunirá hoje, pela manhã, com diretores da Samello para discutir a situação dos 390 funcionários demitidos no último dia 23. À tarde, o encontro será com os trabalhadores da empresa. “Vamos ver o que será proposto para ver que medidas poderemos tomar”, disse.
Diante da impossibilidade de acionar a Samello na Justiça, com a decretação de recuperação judicial, Ribeiro disse que a única saída será contar com o bom senso da diretoria. “Chegaram a dizer que ofereceriam imóveis para garantir o recebimento dos acertos. Agora, veremos se a palavra dos diretores será mantida”.
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