Será que muda?


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O Comércio e a Difusora abriram espaços para a realização de debate entre os candidatos à presidência da 13ª sub-secção da Ordem dos Advogados do Brasil, de Franca e, embora tivessem os representantes das três chapas concorrentes afirmado que o evento seria de fundamental importância para reaproximar a entidade da comunidade regional, preferiram declinar do convite. Termo de compromisso mútuo assinado pelas chapas e protocolado junto à sub-comissão eleitoral da OAB local imputou a fuga da exposição pública “às proibições contidas no Código Eleitoral que são aplicadas subsidiariamente” ao edital das eleições e “que vedam a realização destes eventos nas 48 horas que antecedem o pleito”. A eleição acontece hoje. A atual gestão da entidade trata posicionamentos e comunicações como desnecessários ao exercício da transparência de gestão dos interesses dos profissionais de Ciência Jurídica. Ou, pelo menos, caracteriza-se pelo silêncio conivente. Sobre esta forma caolha de ver o mundo, volta à memória o conhecimento antecipado que a OAB local tinha dos bastidores do caso Adriana Tellini Pedro, advogada que serviu aos interesses de bandidos presos em Franca, dando-lhes ciência de clientes seus que transportavam dinheiro e indicando-os como candidatos a assaltos. Mesmo de posse desta verdade, a OAB da atual gestão não julgou importante posicionar-se perante a sociedade. Quando o Comércio contou em detalhes os aspectos macabros do envolvimento da advogada com o crime, a OAB se fechou em copas. O Comércio foi taxado como sensacionalista e, pior, sua presidência se arvorou como censora entendendo que deveria ditar regras ao jornal e à rádio Difusora sobre como deveriam agir perante o grave delito de Adriana. A opinião pública acompanhou tudo e não deixou de se posicionar, seja por cartas enviadas à Editoria de Opinião do jornal ou aos repórteres da Difusora. Alguns queriam saber como safar-se de contratos que tinham com Adriana mas descobriram que não havia meios rápidos ou eficazes para que isso acontecesse. O debate entre os candidatos - e um deles vai administrar a OAB de Franca a partir de hoje - serviria para defrontá-los com causas como estas. Por uma hora ou duas, com transmissão direta pela Difusora, jornalistas do jornal e da rádio dirigiriam perguntas sem censura sobre fatos do dia-a-dia da advocacia, com o compromisso de transformar o incompreensível em discurso palatável. O temor ou respeito desmedido ao edital de eleição - afinal, o contraditório é ou não o prato preferido da advocacia? - consumiu a chance da reaproximação da sociedade apesar dos candidatos terem conhecimento que o Comércio tinha parecer favorável ao debate emitido pela Comissão Eleitoral de São Paulo. Preferiram não arriscar, o que resulta em mais silêncio. Continua valendo a cartilha do atual presidente. Será que muda? JOSÉ LUIZ DE LIMA NETO é jornalista, Editor de Opinião e gestor de Relações Corporativas deste jornal

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