As acusações feitas pelo presidente Marcelo Mambrini (PMN) causaram muito bate-boca e poucas ações durante a sessão de ontem da Câmara Municipal de Franca. Em entrevista exclusiva ao Comércio, publicada na edição do último domingo, Mambrini disse que caminhões de terra cedidos pela prefeitura garantem a aprovação de projetos no Legislativo de Franca e acusou o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) de manipular vereadores. Ontem, um dos principais atingidos pelas declarações do presidente, o médico Joaquim Ribeiro (PSB), fez um discurso contundente negando qualquer “acerto” com o prefeito em troca de votos.
Joaquim recebeu o apoio de praticamente todos os seus companheiros, que pediram para que Mambrini revelasse os nomes de quem seriam os vereadores envolvidos em “negociatas”. Apesar das palavras, nenhum dos atingidos avançou além da retórica e a Comissão de Ética, instância adequada para denunciar eventuais excessos cometidos por vereadores, não foi acionada. Da mesma forma, ninguém agiu para pedir apuração das denúncias.
Nos discursos, o maior alvo dos ataques de Mambrini era tamb´m o mais ressentido. O médico Joaquim Ribeiro classificou a entrevista de Mambrini como “pouco conseqüente”, “monstruosa” e “infeliz”. O vereador do PSB negou que tenha chorado ao comentar as declarações do presidente durante entrevista concedida ao programa A Hora do Cacete, da Rádio Difusora. “Chorar não é demérito, mas chorar por causa de uma lambança dessa não”, disse.
Jepy Pereira (PSDB) e Luiz Carlos Fernandes (PDT) foram os que mais deram apoio a Joaquim. “Bom cabrito é o que não berra”, disse Jepy, insinuando que Mambrini errou ao abrir a boca. Luiz Carlos disse que o presidente faltou com “o devido respeito humano” aos colegas e afirmou que foi ele quem marcou a reunião que Mambrini aponta como indício de que Joaquim teria trocado seu voto pelo apoio do prefeito Sidnei na eleição para a presidência da Câmara. “Se ele (Joaquim) esteve no gabinete, foi a meu convite”, disse.
O momento de maior tensão aconteceu enquanto Mambrini falava. Em um aparte, Joaquim Ribeiro pediu que o colega o respeitasse. “O senhor está me chamando de mentiroso”, disse o médico. Mambrini não se calou e disse que os colegas estavam o transformando no “bode expiatório” da história. “Agora eu é que sou o demônio da Câmara, da Franca”, disse.
O presidente da Comissão de Ética da Câmara, Silas Cuba (PT) - um dos únicos, ao lado de Gilson Pelizaro (PT) e Zezinho Cabeleireiro, que não censuraram Mambrini - disse que a comissão aguardaria uma representação para agir. Como nenhum vereador representou à comissão, Silas estuda a hipótese de encaminhar o caso para o Ministério Público. O entusiasmo não parece grande.
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