Os 180 médicos que integram o corpo clínico da Santa Casa estão divididos. O racha entre os profissionais aconteceu após a instituição promover alterações em seus plantões. Há décadas, o sistema é o mesmo: os médicos cumprem um turno único, de 12 horas por semana. Agora, o hospital exige que eles trabalhem de segunda a sexta-feira, quatro horas diárias. Os profissionais que têm outros empregos estão revoltados com a imposição. Hoje à noite, haverá uma reunião entre os médicos da Santa Casa e entidades da classe para discutir o assunto. A previsão é de que o clima esquente no encontro.
A Santa Casa alega que a alteração faz parte de uma normativa do SUS (Sistema Único de Saúde), chamada de “atendimento horizontalizado”. O diretor-clínico da instituição, Marcelo de Paula Lima, disse que não há nada que o hospital possa fazer em relação aos profissionais descontentes. “A idéia é positiva, de criar um vínculo maior entre o médico e os pacientes. Agora, quanto à carga horária, a opção vai ser de cada um em permanecer na Santa Casa ou em outros empregos”.
Contrário à medida, o Sindicato dos Médicos em Franca organizou, para hoje à noite, no auditório do Hospital Regional, um debate sobre o assunto entre o corpo clínico da Santa Casa, dirigentes do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), CRM (Conselho Regional de Medicina) e Associação Paulista de Medicina. Vereadores e membros da Promotoria e da Procuradoria também foram convidados.
O presidente do sindicato em Franca, Marco Aurélio Piacesi, está revoltado com a situação. “São cargas horárias incompatíveis. Querem mudar uma rotina de mais de 20 anos e colocam os médicos em dificuldades com seus compromissos. Não podem mudar de uma vez e pisar no pescoço de pessoas com 20, 30 anos de Santa Casa”, disse.
DEMISSÃO
Outro ponto de discórdia entre os médicos está na demissão do cirurgião Carlos Riad. Ele entrou com uma ação trabalhista contra a Santa Casa e acabou dispensado pela instituição. “Não fazia sentido mantê-lo. É como sua empregada te processar e continuar fazendo seu almoço”, disse Lima, que não soube precisar o valor da ação. “Refere-se a plantões anteriores e o valor é grande. Muito dinheiro”, disse. Piacesi aponta outra versão para a demissão. Para ele, o problema foi a disputa à presidência da Associação dos Médicos da Santa Casa de Franca, onde Riad integrava uma corrente de oposição a Marcelo Lima. “Riad foi demitido um dia antes da eleição. É muito estranho isso”, alfinetou Piacesi. Riad não foi encontrado para comentar o episódio.
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