Marcela passa a depender de aparelhos para respirar


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Cacilda Galante está rezando pela melhora de sua filha Marcela, que completa dez dias hoje
Cacilda Galante está rezando pela melhora de sua filha Marcela, que completa dez dias hoje
Ao completar nove dias de vida, Marcela de Jesus Galante Ferreira começou a ter convulsões. Ontem, ela respirava com ajuda de aparelhos e não conseguia mais mamar. Marcela, que nasceu na Santa Casa de Patrocínio Paulista no dia 20 de novembro, tem apenas uma pequena parte do cérebro (tronco cerebral), o que a mantém viva e, até então, respirando sozinha e com os outros órgãos funcionando normalmente. A pediatra Márcia Barcellos, que cuida da criança, disse que Marcela está tomando soro para se manter hidratada. Muito católica, a mãe de Marcela, Cacilda Galante, 36, parece estar mais conformada. “Agora é com Deus”, disse ela, na tarde de ontem. O neurologista Marco Aurélio Ubiali explica que as convulsões estão ligadas ao amadurecimento do tronco cerebral, o que acontece normalmente com todo bebê que passa a ter um estímulo mais rápido durante o desenvolvimento do cérebro. “Como a quantidade de tecido cerebral da Marcela é muito pequena, ela não deve estar suportando os choques (uma descarga cerebral) que acontecem durante o amadurecimento do cérebro. O tronco não está cumprindo mais as funções básicas, como respirar. Por isso, ela está tendo convulsões”, disse. Ubiali afirma ainda que os outros órgãos podem não ser comprometidos. “Mas é preciso ressaltar que ela não tem consciência de nada. É como se estivesse tendo uma vida vegetativa. Todos os estímulos que ela está tendo até agora são automáticos”, afirmou. O neurologista diz ainda que não é possível precisar o tempo de vida da pequena Marcela. “Lembro de um caso de uma menina que nasceu em Belo Horizonte, na década de 70, que viveu três anos. Mas essa criança tinha um tronco cerebral mais desenvolvido que o de Marcela”, disse. Ubiali explica que, mesmo conseguindo viver até essa idade, a criança não desenvolve a fala, não anda e tem dificuldades para comer. Até a noite de ontem, o quadro de Marcela permanecia estável na Santa Casa de Patrocínio.

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