Depois de ser bombardeado por críticas de seus colegas ao denunciar, em entrevista exclusiva ao Comércio, negociatas que garantem a aprovação de projetos no Legislativo de Franca, e de acusar o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) de manipular vereadores, o presidente da Câmara Municipal, Marcelo Mambrini (PMN), não parou por aí. Ontem, mais uma vez, reafirmou tudo o que já havia dito e revelou ainda mais. Disse que os vereadores da base governista recebem, “de presente”, até dez caminhões de terra por mês para distribuírem a quem quiserem. Os caminhões, preparados por servidores municipais, saem de dentro da Secretaria de Obras e Serviços e são entregues a quem o ofício do parlamentar indicar, usando combustível pago pela Prefeitura.
Nos bastidores, a prática já era conhecida, mas esta é a primeira vez que os próprios vereadores a confirmam abertamente. “O prefeito andou dando caminhão de terra sim, como todos os prefeitos”, minimiza o líder do governo Jepy Pereira (PSDB). Não há controle sobre o critério usado pelos vereadores para definir quem ganha a terra.
O ofício pedindo os caminhões de terra é enviado para o gabinete de Sidnei Rocha e só depois chega à Secretaria de Obras. “Nestes casos, o atendimento é mais político e é o gabinete que faz a seleção. Eu não tenho muita estrutura para atender. Consigo entregar uma média de 30 por semana”, disse a secretária Valéria Marson, que envia mensalmente ao gabinete relatório dos pedidos atendidos.
Mambrini, que não esconde ter recebido ele mesmo caminhões de terra no que chama de “troca de favores”, afirma que os “presentinhos” não são “uma condição” para apoiar projetos do prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Mas o fato é que, segundo o próprio Mambrini, membros da oposição não têm direito ao “mimo”. “O prefeito tem a máquina na mão e escolhe para quem vai dar. E a história é a seguinte: vereador que é oposição ao Sidnei Rocha não tem nem oxigênio para respirar.”
Advogados ouvidos pelo Comércio ontem disseram que a prática de distribuir caminhões de terra indiscriminadamente não condiz com os requisitos a serem levados em conta pela administração pública. Qualquer processo de doação de bens públicos precisaria de uma lei que a regulamente. Além disso, não poderia ser feito sem critérios que garantissem o princípio da igualdade entre aqueles que querem receber a doação.
O Comércio tentou contato com Sidnei Rocha ontem à noite em busca de esclarecimentos. Inúmeras ligações para o celular do prefeito foram efetuadas, mas o aparelho estava desligado. José Paschoal Ribeiro, chefe do Gabinete de Sidnei, também não foi localizado em seus três números de telefone celular.
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