Notas sobre a educação em Franca


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As origens de Franca remontam ao final do século XVIII, relacionadas ao fluxo de mercadorias pelo Caminho dos Goiazes. Do ponto de vista educacional, o desenvolvimento foi lento. No início do século XX, a cidade contava com três importantes colégios: Nossa Senhora de Lourdes, para meninas, Colégio Champagnat, para meninos, ambos particulares, caros, e vinculados à Igreja. Além deles, havia apenas o Grupo Escolar estadual, situado onde hoje se encontra o prédio do Correio. Já as escolas profissionalizantes em Franca tiveram início com o pedido de Júlio Cardoso, em 1918, ao governador Altino Arantes, para se criar uma escola profissionalizante em Franca. Em 1919 fundou-se então a Escola Técnica de Comércio de Franca, embrião do Ateneu Francano, para em 1950, ampliar-se, pois nesse ano começa a funcionar o Ginásio Francano e também a Escola Normal Livre Dr. João Ribeiro Conrado. Já nessa época, funda-se outra escola de comércio. Passara-se algum tempo de entendimentos entre Augusto Marques e Siqueira Abreu que, num acordo, fundiram as escolas, tudo sob a direção de Augusto Marques. Em 1945, José Garcia de Freitas e Alfredo Palermo compraram a Escola Técnica de Comércio. Em 1951 instalou-se a Faculdade de Ciências Econômicas de Franca. Palermo foi responsável também pela criação da Faculdade de Direito de Franca, inaugurada em 1958. Há, inclusive, um aspecto curioso nesse episódio, já que essa instituição surgiu sem um prédio. O Delegado de Ensino, Vicente Minicucci, cedeu as instalações de um colégio recém-construído, o Homero Alves, sob os protestos do governador Adhemar de Barros. O Hélio Palermo, ex-aluno da Faculdade, finalmente construiu num terreno doado pelo Colégio Nossa Senhora de Lourdes, as duas faculdades, a de Direito e a de Economia em 1969. A partir de 1963, Franca passa a contar com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, com cursos de Pedagogia, Letras e Estudos Sociais, com geografia e história como habilitações. Ela foi encampada em 1976 pela recém-criada Unesp, Universidade Estadual Paulista, perdendo quase todos os seus antigos cursos e oferecendo apenas dois: História e Serviço Social. Apenas em 1988 é que foi criado o curso de Direito e em 2002 o de Relações Internacionais. Sua encampação realizou-se sob grandes controvérsias, disputas e interferência do governo estadual e lideranças políticas locais. Outra instituição de ensino superior da cidade foi a Faculdade Pestalozzi, vinculada ao Educandário Pestalozzi, criado em 1945, por Thomaz Novelino e sua mulher, a professora Maria Aparecida Rebelo Novelino. Havia uma demanda muito grande por tecnólogos, para atender ao crescimento e às transformações sócio-econômicas da cidade a partir dos anos 50 . Os cursos tecnológicos inscreviam-se num momento favorável, tanto para a indústria curtumeira e de calçados, bem como ao desenvolvimento das vias e estradas. Este era o cenário educacional de Franca, quando em 26 de janeiro de 1970 fundou-se a ACEF (Associação Cultural e Educacional de Franca), com o objetivo de promover a formação, a especialização e o aperfeiçoamento de pessoal para o magistério superior e fomentar a pesquisa, a documentação e a divulgação de conhecimentos. Depois de criada a Faculdade de Desenho e Plástica, em 1972, a ACEF iniciou um processo de ampliação de cursos, incorporando a Faculdade Pestalozzi e a Faculdade de Filosofia do Ateneu Francano, que era dirigida por Alfredo Palermo, constituindo-se, de acordo com o Conselho Federal de Educação numa Federação de Escolas Superiores. Em 1985 ela anexou o Instituto Francano de Ensino Alto Padrão. Estava preparado o caminho para o reconhecimento da universidade, cujo pedido foi feito em 1986. A Unifran - União das Faculdades Francanas - nasceria da fusão de três instituições de ensino superior: a Faculdade de Artes Plásticas (sic), Faculdade de Filosofia do Ateneu Francano e Faculdade Pestalozzi de Ciências, Educação e Tecnologia. Quando eram bastante comuns os cursos na área de Ciências Humanas, das faculdades de Filosofia, Ciências e Letras espalhadas pelo País, a Unifran foi uma das pioneiras na criação de cursos técnicos de nível superior em setores estratégicos para o desenvolvimento nacional, como o de energia elétrica, construção de estradas e de computação. JULIO BENTIVOGLIO é professor de História na UFG, doutor em História pela USP e mestre em História pela UNESP

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