Paula Faciroli
da Redação
Mesa limpa, computador ligado, papéis organizados em pastas amarelas em cima de um gaveteiro próximo à mesa e cortinas fechadas. Foi em seu gabinete, recentemente reformado no Paço Municipal, que, no meio da tarde de uma segunda-feira (6 de novembro), o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) concedeu uma entrevista exclusiva ao Comércio de quase três horas.
Acompanhado durante todo o tempo por seu assessor de imprensa, Marcelo Facuri, e sem deixar de provocar os repórteres e ser irônico, Sidnei fez uma avaliação dos seus primeiros dois anos de governo (a serem completados no próximo dia 1º de janeiro). Para ele, “fantásticos”.
Sem qualquer traço de modéstia, disse não ter errado em seus posicionamentos e atitudes à frente da prefeitura de Franca. Sobre o episódio dos cones, no qual é acusado de desacatar um policial chamando-o de “policial de merda”, foi categórico: “Uma atitude de macho”. Ao falar das críticas que seu governo recebe, disse que não se incomoda. Para Sidnei, são todas “fruto da mídia”, à qual diz não fazer questão de agradar. Como político, o prefeito se define como um homem de resultados e metas, em nome dos quais diz fazer qualquer coisa. “Pago o preço que for”.
Sobre o Legislativo francano, considerou boa a atuação dos vereadores. Só atacou duramente o líder da oposição, Gilson Pelizaro (PT), que, nas palavras de Sidnei Rocha, “representa tudo o que há de mais nojento na história política da cidade”.
Sobre os próximos dois anos de governo, disse não pensar muito, mas afirmou que terá como prioridades a Saúde e o recapeamento da cidade. Já quando o assunto foi sua reeleição, não descartou a idéia. “Ainda é cedo para isso”.
Comércio - Como o senhor avalia esses dois primeiros anos do governo Sidnei Rocha?
Sidnei Rocha - Como ótimos. Melhor do que eu esperava. Eu só esperava fazer alguma coisa depois de dois anos. A gente conseguiu mais cedo. Não sei se eu apertei demais ou se a equipe é muito boa... Conseguimos muita coisa, foi muito bom, fantástico, realizador, por isso, estou a cada dia mais seguro de mim.
Comércio - Na avaliação do senhor, quais foram seus maiores acertos?
Sidnei Rocha - Acho que tudo começou lá atrás, quando escolhi minha equipe. Esse foi o meu primeiro acerto, o grande segredo. Os resultados vieram depois. Nasceram dessa equipe que respondeu muito bem às cobranças do prefeito, que foram muitas, porque eu sou duro. Mas eles se saíram muito bem
Comércio - Que resultados foram esses?
Sidnei Rocha - Eles estão pelas ruas, é só querer ver.
Comércio - Quais?
Sidnei Rocha - Primeiro o pagamento da uma grande parcela da dívida. Não tenho os números corretos, mas devemos ter pago mais de R$ 40 milhões em atrasados (O Comércio da Franca tem insistido para conseguir os números exatos, mas nem o prefeito, nem o secretário de Finanças os apresentam). Não temos nenhum fornecedor com as contas em aberto e a dívida fundamentada com o governo federal, que deve estar em torno de R$ 94 milhões, nós parcelamos. Tem também a prestação de serviços que melhorou muito. Atendemos aqui na Prefeitura mais de 15 mil pessoas por mês e não há reclamações. Na Saúde, as queixas caíram e a qualidade do atendimento está melhor. Na área cultural, o teatro (municipal) tem peça quase todos os dias. No esporte, somos destaque regional e tem a Educação, que construímos escolas e vamos erguer creches.
Comércio - E quais foram seus erros nestes dois últimos anos?
Sidnei Rocha - (Pensa). Difícil para a gente achar erros. Muito difícil. Você está trabalhando para atingir uma meta, buscando resultados, não fica olhando para os erros. Mas certamente um ou outro houve.
Comércio - O senhor fala muito em metas. Quais são elas para a segunda metade do seu governo?
Sidnei Rocha - Tem muita coisa, mas quero ver se consigo fazer o recapeamento da cidade, que é a primeiríssima coisa. Os dois maiores problemas continuam sendo a Saúde e os buracos. Na Saúde, acho que conseguimos melhorar bastante. No recapeamento, também tivemos melhora, a cidade não tem mais buraco, mas é só chover que eles voltam a aparecer, então temos que recapear pelo menos alguma parte da cidade, as principais vias. Temos que fazer um esforço. Foi a busca do prefeito anterior, foi a minha busca nestes dois primeiros anos. Por conta da situação em que encontrei a Prefeitura, não foi possível fazer tudo, mas continuará sendo minha meta. E outro caminho que estamos seguindo é na Educação, com a construção de escolas e creches.
Comércio - A Secretaria da Educação diz que há 2 mil crianças à espera de atendimento. Com essas creches que serão construídas, restarão ainda 1,8 mil sem vagas. Como resolver esse problema?
Sidnei Rocha - Não existe solução. Isso vai ter de ser uma ação de vários governos além do meu. Não dá para resolver isso em dois anos. Não tem jeito, é humanamente impossível.
Comércio - Voltando um pouquinho na questão do recapeamento...
Sidnei Rocha -(Interrompendo) Também não tem jeito de resolver em dois anos.
Comércio - Para recapear essas vias principais, o senhor pretende usar os recursos do acordo proposto com a Sabesp, que seriam R$ 30 milhões? Ou dá para recapear com recursos próprios?
Sidnei Rocha - Com recursos da Sabesp temos condições de fazer algo considerável. Com recursos próprios, temos que fazer muito mais lentamente. Não podemos pegar o dinheiro do orçamento e pôr tudo no recapeamento, há outras áreas também.
Comércio - O senhor acredita que o acordo com a Sabesp que garantiria esses recursos vai ser assinado até o fim do seu mandato? O senhor negocia a assinatura do contrato desde o ano passado, já decretou a retomada dos serviços e, até agora, tudo continua na mesma...
Sidnei Rocha - Primeiro vamos situar a história, não estamos discutindo números com a Sabesp desde o final do ano passado. A comissão de negociação foi formada seis meses antes do vencimento do contrato com a empresa, ou seja, em março.
Comércio - Mas, extra-oficialmente, a Prefeitura no final do ano passado já mantinha conversas amigáveis sobre o assunto com a Sabesp...
Sidnei Rocha - Eu, administrando, não tenho amigos. Tenho resultados. Primeiro precisam entender e acho que a população foi mal informada. Um dia após a primavera, em 23 de setembro, venceu o contrato com a Sabesp, se eu não fizesse nada, quem defenderia o direito do município? O decreto foi feito para preservar o direito da Prefeitura. Tinha que ser muito bem-feito. Qual a estratégia que a Sabesp está usando? É ir levando pra frente, ela quer levar a questão para o próximo governo. Eu discuto política, mas defendo interesses daquele que eu represento que é o município de Franca. Aí não tem amigos. Não tem governo, não tem partido. Existe a responsabilidade que eu tenho. A água e o esgoto são do município. A Sabesp não pode simplesmente ter o contrato vencido e continuar operando como se nada fosse. Ela faz isso nos municípios pequenos. Eu teria que ir na Justiça e, se eu fosse na Justiça sem o decreto, o que eu poderia reivindicar? Nada, o contrato estaria vencido. Com o decreto, eu passei a ter o direito de reintegração de posse. Sem o decreto, eu entraria em qualquer fórum judicial e a Sabesp diria: “Eu estou disposta a negociar”. Aí, o juiz ia dizer “se a empresa está disposta a negociar, Prefeitura de Franca, negocie”. Agora é diferente. Tem o decreto. Mas se a Sabesp entrega tudo, ela tinha me colocado em uma situação difícil.
Como eu ia tocar uma empresa daquele tamanho? Não era pra ela me entregar mesmo. Ela fez aquilo que eu queria. Não foi nenhuma “porralouquice” como muita gente tentou passar. Foi algo muito bem pensado, uma estratégia político-jurídica.
Comércio - Mas que resultados trouxe? Tudo continua na mesma...
Sidnei Rocha - Calma, não estamos discutindo resultados, algo que tenha data para acontecer, mas o direito de uma cidade. Calma, você tem que escutar tudo. Agora é que chega na questão... Foi preservado o direito da cidade, a Sabesp não deixou eu retomar. Que ótimo, porque se ela entrega, como eu ia fazer? Por isso que no decreto eu requisitei tudo até funcionários. Óbvio que eu não sou tão ‘bobinho’ assim de achar que eu e mais quatro conseguiríamos administrar a Sabesp. Mas, muito bem, eu pedi, a empresa não entregou, o que me deu o direito a reintegração de posse e a indenização. Vocês agora me perguntariam “por que o senhor não retoma?” Porque eu não sou radical. Eu quero negociar, porque agora a Sabesp pode enrolar o quanto quiser, no fim, se ela não continuar com o serviço, terá que pagar à Prefeitura esse período em que ficou sem contrato.
Comércio - E até quando vai essa negociação, qual o prazo que o senhor tem para usar esse direito de reintegração de posse?
Sidnei Rocha - Pela lei, tenho 364 dias depois do decreto para pedir. Tenho duas alternativas: esperar a Sabesp negociar, porque eu posso requerer depois a indenização já que ela tá usando uma coisa que não é dela sem autorização. Ou posso abrir uma licitação, ter uma empresa para assumir no lugar da Sabesp e só então entrar na Justiça para pedir a retomada. Essa licitação pode demorar uns quatro ou seis meses. Não tem importância porque depois vem a indenização. Tá correndo por conta da Sabesp. Uma equação muito simples. Aliás diga a seu patrão (referindo-se ao jornalista Corrêa Neves Júnior). Nem gênio nem louco. Estrategista é melhor. Eu ouvi ele falando isso no dia 23, interrompeu o programa a Hora do Sapateiro para dar a notícia da retomada. Eram 13h45, eu estava ouvindo no meu carro e ele falou que eu devia ser um gênio ou um louco. Sou apenas um bom estrategista.
Comércio - O senhor não disse quanto tempo exatamente vai esperar até a retomada da Sabesp. Qual o prazo que o senhor deve aguardar?
Sidnei Rocha - (Pede café, água, pensa, enrola, desconversa). Vocês têm vinte minutos para acabar essa entrevista.
Comércio - Prefeito Sidnei Rocha, até quando vai a paciência da Prefeitura? Qual o prazo?
Sidnei Rocha - Que prazo? Não tem prazo. Se tivesse, não teria negociação. Vocês dizem tanto que a Sabesp é a melhor empresa de saneamento e esgoto. Resolvi tentar fechar com ela.
Comércio - Sim, mas, como o senhor mesmo disse, a licitação deve levar de quatro a seis meses, mais uns dois meses para que a vencedora comece a se estruturar; com isso, pode ser que os resultados desse acordo não sejam colhidos ainda no seu governo que tem pela frente dois anos...
Sidnei Rocha - Foi só um cálculo, um número que falei, a licitação pode demorar mais ou menos. Agora, acho que tem que ser é bem-feita, transparente, que seja boa para o município. Se tiver que demorar para isso, vamos fazer o quê? Não estou aqui para fazer milagre, estou aqui para administrar.
Comércio - O senhor é acusado de desacatar um policial chamando-o de “policial de merda” depois de não ter sido atendido numa solicitação de retirada de cones da frente da base da PM na Rua Monsenhor Rosa. Até que ponto esse episódio desgastou sua imagem? O senhor se arrepende?
Sidnei Rocha - Não. E não xinguei o policial.
Comércio - O senhor acha que isso desgastou sua imagem?
Sidnei Rocha - Não sei. É difícil. Eu encontrei muita gente dizendo que eu devia ter feito mesmo. Quem não aprova, não fala. Então, não sei. Agora eu não me preocupei muito porque eu fiz algo que deveria ter sido feito naquele momento.
Comércio - Não havia outra forma de pedir que os cones fossem retirados da rua?
Sidnei Rocha - Havia, mas eu preferi aquela. Achei que o desrespeito ao prefeito merecia uma resposta contundente e na hora.
Comércio - Com um outro desrespeito? Ou o senhor não considera o chute nos cones um desrespeito?
Sidnei Rocha - Não, por que desrespeito?
Comércio - O senhor desceu do carro, xingou e chutou...
Sidnei Rocha - Xinguei os cones. É verdade. Aquilo que é o meu depoimento é a total verdade. Eu não xinguei o policial nem xingaria. Eu sou premiado com a medalha Brigadeiro Tobias, que é a maior condecoração que a Corporação da PM faz. Por que eu xingaria a corporação? Será que alguém não fez bobagem, depois ficou preocupado de se expor “Eu peitei o prefeito então isso vai dar uma confusão para mim e vamos criar uma história para explicar pro meu chefe”? Nunca vocês, como repórteres espertos que são, pararam para pensar que o prefeito não tinha motivos para atacar a corporação? Por que tudo sempre é contra o prefeito?
Presta bem atenção nisso. O outro policial que estava dentro da viatura disse que estava conversando com outras duas pessoas dentro da base. Na praça, estava um barulho enorme. Eu pergunto: como ele pode ter ouvido o que eu falei para o Amarildo (policial que teria sido ofendido)? Ninguém questionou nada, nem vocês, nem a polícia, nem ninguém (Em todas as matérias produzidas, o Comércio tentou ouvir a versão do prefeito que se recusou a falar sobre o episório antes de seu depoimento à polícia). Eu vim, parei o carro próximo aos cones e chamei o policial e falei “Escuta, ponha esse cone para dentro da linha porque ele está atrapalhando o trânsito”. Aí, ele me disse que eram ordens do comando. Eu desci do carro e coloquei o cone para dentro da faixa. Aí o soldado veio e pôs o cone para fora outra vez... Aí eu chutei...
Comércio - E o senhor acha essa atitude normal? Um prefeito parar o carro na praça central, descer para mudar um cone de lugar e sair chutando?
Sidnei Rocha - É uma atitude de macho.
Comércio - Sobre a taxa de iluminação pública que o secretário de Finanças Sebastião Ananias quer implantar, o senhor é a favor ou contra?
Sidnei Rocha - Sou contra.
Comércio - Mas o senhor apoiou o estudo feito pelo secretário no sentido de implantar a cobrança...
Sidnei Rocha - Sim. Qual o problema nisso? Eu sou teoricamente contra... (Pensa) Por que o Ananias não pode estudar isso? De repente, ele pode encontrar uma forma que seja interessante para o contribuinte e para Prefeitura... Ele tem que estudar sim... Com vocês é se correr o bicho, se ficar o bicho come... Quer dizer, se eu tomo uma decisão, sou um ditador, mas se eu digo, tem que estudar sim, sou contra, vocês pegam no meu pé. Eu não entendo vocês. Vocês fazem jogo para não serem entendidos.
Comércio - Mas o senhor não acha, no mínimo, contraditório, um prefeito autorizar que um secretário estude um projeto que ele já diz ser contra? Ou será que o senhor não é tão contra assim?
Sidnei Rocha - Veja bem. Não é isso. Ele pode estudar e achar uma solução que seja interessante para todo mundo, que seja inteligente, que não vai prejudicar as pessoas. Por que não implantar? É como no caso dos radares. De saída, eu sou contra, mas se eles me provarem que a instalação vai diminuir consideravelmente o número de acidentes, que realmente são necessários e não servirão apenas para criar a indústria de multa, como no passado, eu estudo, vejo, observo, discuto. O problema não é esse. O problema é que vocês já têm uma opinião formada a meu respeito, que sou radical, um ditador e não é assim...
Comércio - Não tenho opinião nenhuma...
Sidnei Rocha - Tudo tem que ser estudado e discutido, mas não é ficar discutindo a vida inteira. O Executivo é para executar.
Comércio - Então, o que o senhor quis dizer com o seu ‘sou contra’?
Sidnei Rocha - Sou contra porque da maneira como vem sendo colocado, não acho interessante fazer... Agora, se eu incentivo o estudo, eles podem achar uma forma que me pareça melhor. Não vejo incoerência nisso.
Comércio - Vou mudar a pergunta, o senhor descarta a cobrança de uma taxa de iluminação?
Sidnei Rocha - Não sei, mas se for para cobrar R$ 10 de cada um como estão falando, descarto, sim.
Comércio - E a instalação de radares, é a favor ou contra?
Sidnei Rocha - Contra. Sou favorável ao sistema que existe hoje em Ribeirão Preto com os radares móveis. Os fixos todo mundo sabe onde estão. Os móveis apresentam um resultado melhor.
Comércio - O senhor nunca se interessou em ser deputado?
Sidnei Rocha - Não, não gosto. Eu fui vereador. E deputado e vereador é a mesma coisa, muda o tamanho da casa. Esse estilo de fazer política não me agrada. Você fica discutindo uma idéia com um monte de pessoas durante horas para não chegar a lugar nenhum. Isso não é comigo. Sou um homem de resultados e no Executivo acho que consigo trabalhar melhor.
Comércio - Como o senhor avalia o trabalho da atual Câmara Municipal?
Sidnei Rocha - Acho que ela vai bem, porque Câmara boa é aquela que trabalha junto com o prefeito na busca pelos resultados. Não fica aquela coisa de só discutir, os resultados fluem.
Comércio - O senhor começou o mandato com maioria absoluta na Câmara...
Sidnei Rocha - (Interrompendo) Não, não. Eu comecei o mandato com a maioria simples, de oito vereadores. Maioria absoluta eu tenho hoje.
Comércio - Mesmo com os vereadores do PSB (Valter Gomes, Joaquim Ribeiro e Maurício Chinaglia) se firmando na oposição e o Marcelo Valim (PSDB) deixando a mesa diretora da Câmara?
Sidnei Rocha - Eu não sabia que o Joaquim era oposição, ele sempre disse o contrário. Agora vocês vêm e falam que ele é contra. Eu estou tomando conhecimento disso agora. Aliás, quem me defendeu muito no caso da Sabesp foi o Valter Gomes. Como você pode considerar ele oposição? Então, na opinião de vocês, até o Valim é oposição...
Comércio - Já que esses vereadores, na opinião do senhor, o apóiam, quem faz oposição ao Executivo?
Sidnei Rocha - O PT. A bancada do PT, de dois. Os outros 13 apóiam o prefeito.
Comércio - O senhor acha que está bem representado na Câmara? Seu próprio líder, Jépy Pereira, disse que está no cargo porque não tem outro vereador disposto a assumir a sua li-derança...
Sidnei Rocha - Estou sim. O Jepy é um bom líder, isso é modéstia dele. É um bom vereador.
Comércio - Mesmo apontando o lugar onde seria construído o CDP errado?
Sidnei Rocha - Isso acontece, são 180 alqueires lá, coitado. É um bom líder.
Comércio - Já cogitou negociar com o líder da oposição, o petista Gilson Pelizaro?
Sidnei Rocha - Não, não.
Comércio - Mas não acha necessário o diálogo?
Sidnei Rocha - Também não. Eu acho que ele representa a desgraça do passado de Franca. Ele representa aquilo de mais abominável que Franca já teve na sua história política. Eu acho que ele não merece nenhuma consideração, porque ele era o líder dessa ‘camarilha’ e continuou sendo. Ele representa tudo de mais nojento que essa cidade teve nos últimos anos na política. Foi nojento, foi nojento tudo o que aconteceu em Franca.
Comércio da Franca - O senhor se diz um político muito criticado. Tem idéia do porquê as pessoas o criticam tanto?
Sidnei Rocha - Eu não faço média. Eu tenho um estilo de trabalhar. Um estilo que busca resultados avidamente. E quem busca resultado esquece de ser agradável. Penso que é isso. Para mim, o principal são os resultados. Se você tem uma proposta, para não se frustrar, precisa buscar resultados arduamente, vinte quatro horas por dia. E eu busco. Eu, agora, por exemplo, me afastei de tudo. Me afastei dos meus negócios... Isso porque existia e existe uma proposta que é consertar a Prefeitura, fazer a cidade retomar o progresso. Isso está na minha cabeça vinte e quatro horas por dia.
Comércio - Esse Sidnei Rocha polêmico, que se diz criticado, que gosta de uma boa briga, é um personagem?
Sidnei Rocha - Eu não diria que é um personagem. Acho isso de personagem muito forte. Eu diria o seguinte... Particularmente, na minha casa, eu não sou como eu trabalhando. Sempre exigente, que isso eu sou muito, na minha casa, em todos os locais. Agora não um personagem. É a busca de resultados. Nada vai fazer eu me desviar daquilo que estou buscando. Isso significa que, às vezes, dá trombadas. Não diria que é um personagem, mas, sim, uma meta tão consciente que se for preciso dar trombada, dá, fazer o quê?...
Comércio - Então, Sidnei, o fim justifica os meios?
Sidnei Rocha - Não, não sei, aí depende de ao que você está se referindo. Neste caso, sim...
Comércio - O senhor acabou de dizer que tem uma meta a cumprir e que se no caminho houver trombadas...
Sidnei Rocha - Eu acho que dentro desse enfoque sim. Se você tem metas que são importantes de serem atingidas paga o preço que for... Neste aspecto, sim. O importante é buscar resultados.
Comércio - Sidnei Rocha paga o preço que for para atingir suas metas?
Sidnei Rocha - (Pensa). Pago...Essa frase é boa, você vai aproveitar na entrevista.... Mas tudo bem... Eu pago.
Comércio - O senhor tem idéia de qual é o índice de aprovação de seu governo?
Sidnei Rocha - Não tenho idéia, nunca fiz pesquisa para medir isso...
Comércio - Há alguns dias, o senhor afirmou que seriam uns 70%...
Sidnei Rocha - Foi um chute, porque eu sinto. Tenho muitos anos de janela, sinto nas ruas as aprovações. As pessoas me param na rua, me cumprimentam, agradecem. Isso acontece muito, o que para mim é fantástico...
Comércio - O ex-prefeito Gilmar Dominici, que o senhor sempre critica, também dizia que tinha uma aprovação nas ruas, mas não conseguiu se eleger deputado federal.
Sidnei Rocha - Eu não gostaria que vocês fizessem comparações, porque senão eu começaria a comparar vocês com outros repórteres, mas não ficaria elegante... Então... vamos lá, seu jornal já fez uma vez uma pesquisa, quando eu tinha uns cinco meses de governo. Deviam publicar (O Comércio realizou uma pesquisa de avaliação depois de 11 meses do governo Sidnei Rocha, em novembro de 2005. O resultado completo foi publicado como manchete).
Comércio - Nós publicamos.
Sidnei Rocha - Deviam fazer uma pesquisa agora.
Comércio - O senhor acredita que as críticas possam ser construtivas ou elas devem ser sempre ignoradas?
Sidnei Rocha - Não, eu sou muito mais favorável à liberdade de imprensa do que vocês pensam. Só fico pasmo quando vocês defendem o ex-prefeito das minhas críticas. Eu não vi nenhuma procuração dele para vocês defendê-lo.
Comércio - O que o senhor chama de defesa?
Sidnei Rocha - Todas as vezes que eu vejo, é assim: ‘Ah, mas ele criticava muito o outro prefeito’. Então vocês têm procuração para defendê-lo? Eu criticava por pertencer a uma imprensa séria. E criticava mesmo. Vou começar a pedir para vocês a procuração de vocês para defender o Gilmar Dominici? Fui crítico dele mesmo, porque ele acabava com a Prefeitura. Acabava. Agora, sou criticado porque criticava o Gilmar. Isso não tem fundamento.
Comércio - Uma crítica fundamentada à qual o senhor reagiu muito mal foi quando moradores da Vila Raycos protestaram contra buracos e o senhor os chamou de “macacos”. Era necessário ofender os munícipes?
Sidnei Rocha - Eu tirei sarro, eu tirei sarro deles. O que tem isso? Aceitei as críticas. Pelas fotos que saíram, todo mundo com os braços levantados jogando água, foi muito engraçado. Eu observei a foto do jornal e pareciam macaquinhos posando para as câmeras do fotógrafo (imita a pose dos moradores). Pareceu que as pessoas chamaram vocês lá, que elas queriam só aparecer.
Comércio - E quanto àquele caso de um paciente que caiu da maca no “Janjão”, quando o senhor afirmou que o homem estava bêbado...
Sidnei Rocha - Falei aquilo baseado em uma informação que eu tive de lá (pronto-socorro). Pode ser que estivesse certa ou errada, mas aí foi uma informação que eu tive e obviamente não fui lá verificar. Jamais sacaneio uma pessoa que eu não conheço, ainda mais doente. Mas essa foi a informação que me veio. Se ele não estivesse bêbado, aí foi um erro lamentável de alguém que me informou.
Comércio - Como vê o futuro de Franca?
Sidnei Rocha - Ah, eu sou otimista. Não me assusta. Quando fizemos o Distrito Industrial, há 20 anos, dizíamos que seria o maior distrito industrial do interior de São Paulo e hoje são 221 empresas.
Comércio - O senhor insiste que o Distrito é obra sua...
Sidnei Rocha - (Pega o gravador, aproxima da boca e fala em tom de voz elevado) Eu fiz o Distrito Industrial. Não comprei nem um metro de terreno: 83 alqueires já estavam comprados, mas eu fiz tudo o que está lá.
Comércio - Seus antecessores, então, não tiveram mérito algum?
Sidnei Rocha - Está tirando palavras da minha boca. Claro que tiveram, sempre reconheci isso. Agora quem fez? Fui eu!
Comércio - Como visualiza a cidade daqui a dois anos?
Sidnei Rocha - Não penso a longo prazo. Eu vou trabalhar duro para ela ficar muito melhor. Você pode saber disso. Vou trabalhar muito.
Comércio - O senhor classifica a instalação de filiais de grandes redes varejistas como uma revolução comercial, mas muitos donos de supermercados de Franca se queixam desta invasão. Como o senhor vê esta questão?
Sidnei Rocha - Acho que agora é o capitalismo chegando a Franca de vez. Acho que a contribuição dessas redes para a cidade será inestimável porque você passa a ter uma estrutura muito maior. Eles sacodem o mercado. Os comerciantes passam a perceber que podem sobreviver, que vão sobreviver, mas, para isso, eles terão de se mexer. Agora, a concorrência é pesada. Outra contribuição importante é que elas acabam atraindo para cá consumidores de outras cidades da região que antes preferiam ir para Ribeirão Preto. Mas é triste que ainda não tenhamos a resposta necessária da cidade. Nos feriados, por exemplo, muitas lojas ainda permanecem de portas fechadas aqui, enquanto que em Ribeirão tudo funciona. Essa mentalidade tem que mudar.
Comércio - O senhor é favorável ao funcionamento das lojas aos domingos?
Sidnei Rocha - Sou favorável ao funcionamento 24 horas, desde que se pague o trabalhador.
Comércio - Tentará se reeleger?
Sidnei Rocha - Não penso nisso. Só me candidataria se houvesse um cenário para isso, mas ainda não sei se isto existe. Não fiz pesquisa sobre a minha administração até agora. Acho que uma pesquisa pode desviar a atenção do grupo. Sei que se hoje você fizer uma pesquisa, ela deve dar um bom resultado e isso pode fazer a gente acomodar. Então não faço. Não sei se me candidatarei à reeleição.
Comércio - O senhor se considera um homem de sorte?
Sidnei Rocha - Não. Sou um trabalhador. Acho que sorte só sorri para quem trabalha.
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