Portugal, França e outros sete países possuíram vilas Francas. O nome adviria da liberação de impostos daquelas áreas. São mais de 50 localidades Européias com esse nome. O historiador José Chiachiri Filho afirma que a Franca brasileira, no nordeste de São Paulo, porém, teria recebido esse nome em homenagem ao governador Antônio José da Franca e Horta, que incentivou o povoamento e se empenhou para que o povoado ficasse com São Paulo.
Afonso de Carvalho e Wanderlei dos Santos, entretanto, acreditavam que a estrada do Caminho dos Goiases que passava por Franca era um pequeno desvio a leste do traçado original, visando fugir dos pedágios (já existiam naquela época e eram cobrados em espécie, porcentagem dos produtos transportados). Assim, Franca viria da palavra que significa “gratuita” (como na expressão “entrada Franca).
O francês Luiz D’Alincour passou por pela freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca e do Rio Pardo em 1818 e escreveu em seu livro de viagens que o nome já naquela época usada para se referir à localidade havia sido adotado porque aquele arraial era passagem aberta, livre. Um ano depois Auguste de Saint Hilaire também passaria por aqui e afirmaria que o nome era uma homenagem àquele que foi governador paulista até 1811.
Para Chiachiri, a questão está encerrada. “Os documentos oficiais de criação da freguesia são categóricos. Foi uma homenagem ao Franca e Horta. Eles gostavam muito do governador, porque ele deu terras e títulos aos povoadores além de liberar seus filhos do serviço militar. Claro que ele fez isso por interesse, pois queria o apoio dos habitantes da região para que ela ficasse com São Paulo. Não tem porque ter mais polêmica, os documentos provam”, defende o ex-diretor do Arquivo Municipal. “Além disso, se a área era mesmo uma maneira de fugir de impostos e pedágios, eles não iam ser ‘burros’ de colocar esse nome para chamar a atenção das autoridades”, completa.
Outro historiador francano, contudo, reacende a polêmica de Hilaire e D’Alincourt. Julio Bentivoglio, professor da UFG (Universidade Federal de Goiás) acredita que a “homenagem” pode ter sido uma maneira irônica. Julio disse ao Comércio que afirmar que a localidade se chamava Franca, mesmo após a elevação à categoria de vila (em 1824, quando já havia se passado 13 anos do fim do governo de Antônio José), por conta do sobrenome materno de Franca e Horta era uma maneira ser irônico que os francanos arrumaram. “Caçoavam de certas autoridades e cobradores de impostos dizendo estar homenageando uma outra autoridade, mas na verdade o nome se justificava por outra razão”.
Júlio adota assim uma posição semelhante à escola historiográfica francesa dos Annales, de Marc Bloch e Lucian Febvre, que prega uma crítica mais apurada das fontes documentais. Ou seja “estar escrito não significa que seja verdade”, afinal a mentira e a gozação não foram inventadas agora.
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