Histórias de casamento


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Há 30 anos vastindo e arrumando noivas, Lurdinha Barbosa lança livro com histórias boas e ruins que foram motivadas pelo ``sim´´
Há 30 anos vastindo e arrumando noivas, Lurdinha Barbosa lança livro com histórias boas e ruins que foram motivadas pelo ``sim´´
Rua Santo Antônio. O nome não poderia ser mais apropriado. Nesse endereço, há décadas Maria de Lourdes Oliveira Barbosa, a Lourdinha, dedica horas do seu dia a realizar o sonho que, muitas vezes, esse santo ajuda a concretizar. Costura e ajusta vestidos, arruma as noivas e as leva até a porta da igreja no dia do casamento. Pode até ser chamada de casamenteira, como Santo Antônio, já que pelas suas mãos passaram milhares de noivas. Nem todas foram felizes para sempre, é verdade. Mas, como a própria Lourdinha diz, “é assim mesmo, temos que aprender com a vida”. Em 30 anos de profissão, não foram poucas as histórias que ouviu e viveu. Noivas felizes, noivas infelizes, casamentos refeitos anos depois de uma briga, casamentos desfeitos às vésperas do casal subir ao altar, gafes e sorrisos de felicidades permeiam um cotidiano que não é feito somente de agulhas, alfinetes e tecidos brancos. Mais do que realizar o sonho do vestido perfeito, Lourdinha torna-se quase “amiga íntima das noivas”. Enquanto escolhem ou provam os vestidos elas aliviam a tensão conversando abertamente com a “costureira”. Sendo assim, não são poucas as histórias que ela ouviu e, principalmente, viveu nas últimas três décadas. Sempre anotando-as em cadernos, ou diários, Lourdinha resolveu trazê-las à tona no livro Noivas, Sonhos e Pesadelos, que acaba de lançar pela Ribeirão Gráfica e Editora. São 110 páginas de histórias curtas, que ilustram bem o que pode acontecer antes, depois e durante a hora do “sim”. As histórias vão desde gafes como um bolo que caiu no meio da terra bem na hora da festa, até as surpresas que as noivas querem fazer para os noivos, mas que não saem exatamente como o esperado. O que pensar de uma noiva toda de prateado e o noivo todo de dourado se encontrando no altar? Entre as histórias preferidas da autora está a da noiva que bebeu tanto antes do casamento, para tentar conter o nervoso, que chegou ao altar cambaleando e dormiu antes da festa começar. Entre as românticas, ela gosta da história de um casal apaixonado, que se separou porque ele tinha outra e, anos depois, se reencontrou e resolveu casar. “Eu acredito muito no amor. Então, as histórias felizes me alegram. As tristes me deixam chateada, mas fazem parte da vida e da profissão”, diz Lourdinha. Para ela, receber a notícia de que um casamento se desfez às vésperas da cerimônia não é bom. E isso acontece. “É muito triste, a gente não quer isso”. Tem também aqueles que acabam meses depois. Em 30 anos de profissão, Lourdinha acredita que o sonho do casamento continua o mesmo, mas o amor não. “Há algum tempo as pessoas se casavam somente por amor e não se importavam tanto com o vestido. Queriam casar e ser felizes. Hoje tem muito consumo e pouco amor. As pessoas falam, ‘vou casar, mas se não der certo, tudo bem’. Aí eu acho que fica uma coisa meio sem sentido”, diz. Apesar de todas essas mudanças de sentimentos, Lourdinha acredita que enquanto houver o amor verdadeiro, o sonho do casamento continuará existindo. Mas não custa nada pedir uma ajudinha para o Santo Antônio, aquele mesmo que dá nome à rua onde fica o lugar em que as noivas vão para realizar o sonho.

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