Carisma, conciliação ou coalizão?


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Alfredo Palermo A menos de uma semana, os leitores do jornal “Estado de S.Paulo” tomaram conhecimento de uma notícia que alvoroçou a opinião pública: o presidente Lula teria feito chegar a um ilustre grupo de políticos do PSDB a possibilidade de realização de um entendimento para formar uma “coalizão”, destinada a ajudar a governabilidade do País. O encontro de Lula com os políticos nasceu de uma viagem em razão do sepultamento do senador Ramez Tebet, em que participavam o senador Arthur Virgílio, do PSDB, e outros peessedebistas. Esse fato, como não podia deixar de ser, causou enorme repercussão nos meios políticos. Pelo noticiário do “Estadão”, Lula também conversou com outros políticos, aos quais o presidente confirmou seu pensamento de que estava vivamente empenhado nessa linha de atuação. Aliás, além de um banquete aos governadores de seu Partido, de congratulações e estímulo, Lula reiterou ao senador Artur Virgílio o convite para que Fernando Henrique aceitasse integrar o Conselho da República, junto com os demais ex-presidentes, devido ao seu nome e sua experiência. Um dia após a manchete do “Estadão”, percebeu-se que haviam esfriado bastante os comentários dos jornais. A “Folha de S.Paulo” apenas mencionara que, na entrevista citada, o presidente só citou o termo “conciliação”, mas não “coalizão”, pois Lula desejava ouvir membros de outros partidos, a fim de formar governo amplo de posições e de interesse nacional. Além disso, a “Folha” continuou a mencionar a promessa de Lula ter decidido dar ao PMDB o bloco de sustentação, antes mesmo de ouvir outras siglas. E contando ainda que o PT já se negara a apoiar outros partidos. E esse fato significativo de três redatores da mesma “Folha” terem marcado uma posição crítica e contrária em suas crônicas: “A Coalizão e o Banquete”, Clóvis Rossi; “O Todo Poderoso”, de Eliane Cantanhêde; e “O Ovo da Serpente”, de Carlos Heitor Cony. Em suma: sem se esquecerem os anos de corrupção, da degradação do PT e de outras páginas de graves acusações, deverá ser difícil esquecer o carisma, a conciliação e, principalmente, a suspirada “coalizão”...

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