Contrariando todas as previsões da medicina, a pequena Marcela de Jesus Galante Ferreira, que nasceu sem cérebro, surpreendeu e está prestes a completar uma semana de vida. O bebê anencefálico nasceu na Santa Casa de Patrocínio Paulista na tarde da última segunda-feira. Nesses primeiros dias de vida a pequena Marcela, que nasceu com 2,5 quilos e 47 centímetros, mamou no peito da mãe a cada duas horas e não precisou da ajuda de aparelhos para respirar. Marcela ainda não conheceu a casa dos pais e só saiu do hospital para fazer exames em Franca.
Para a mãe, Cacilda Galante Ferreira, 36, e o pai, Dionísio Justino Ferreira, 46, cada minuto que ela vive a mais é um “milagre”. “Só dela estar respirando sem aparelho e estar mamando no peito já é um milagre de Deus”, disse a mãe ao conversar pela primeira vez com a reportagem desde o nascimento da filha.
Cacilda, que poderia ter ido para casa por ter recebido alta, não saiu de perto da filha. Como Marcela teve que permanecer no hospital para evitar riscos de contrair uma infecção e também para ser observada pelos médicos, os pais preferiram ficar perto para acompanhar cada minuto da vida da criança. Dionísio, que é agricultor, deixou as plantações de café, frutas e verduras e tem passado até doze horas diárias no hospital.
Para suportar o prognóstico de que Marcela tem pouco tempo de vida, a família se apóia na solidariedade de amigos e familiares. O bebê recebeu várias visitas. Alguns levaram presentes, outros oração, como o bispo da Diocese de Franca, Dom Diógenes. Mesmo muito abatida e triste, Cacilda se mantém forte. “Não penso no amanhã. Vivo este momento junto com ela”, explica enquanto sorri ao olhar a filha deitada no berço.
Durante toda a semana, Marcela dormiu tranqüilamente. Quase não se mexeu no berço e chorar só na hora do banho ou quando colocaram a mão em sua cabecinha. Apesar de não ter esperanças de levar a filha para casa, o casal se apega na fé de que ela continuará surpreendendo. Até mesmo o obstetra que acompanha o caso e é prefeito de Patrocínio, Mauro Barcellos (PT), está surpreso com a resistência. “Tivemos um caso semelhante há oito anos. O bebê viveu apenas dois dias”, afirmou.
Na manhã de ontem, Cacilda disse que Marcela não passou muito bem à noite com dificuldade para respirar. E, mais uma vez, surpreendeu e ontem pela manhã, depois de mamar, dormia tranqüilamente. Ela continua respirando sem aparelhos.
A FAMÍLIA
Cacilda e Dionísio têm mais duas filhas: Débora, 18, e Dirlene, 14. Vivem em um sítio de três alqueires a 16 quilômetros de Patrocínio. A família leva uma vida humilde e o sustento é tirado do café e da plantação de verdura e frutas. Tudo é vendido na Feira do Produtor, que acontece uma vez por mês na praça central da cidade.
Durante a espera pela chegada de Marcela, os pais não chegaram a comprar berço, mas a mãe fez questão de formar um pequeno enxoval para a filha. “Ela sempre acreditou em um milagre. Rezamos muito para isso”, disse o pai.
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