Cristo é nosso rei


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A solenidade de Cristo Rei encerra o Ano Litúrgico. Por isso a celebração deste domingo é uma grande profissão de fé no Senhor da história que caminha com seu povo. A solenidade de Cristo Rei se torna um momento privilegiado para que a comunidade cristã descubra seu lugar e papel na sociedade. Somos povo de Deus que escuta a sua voz e conhece a sua verdade e assim nos tornamos um reino e sacerdotes para Deus. A solenidade de Cristo Rei afirma substancialmente duas coisas; 1. Há um único Absoluto na história: É Deus que, com seu Filho, instaura no mundo seu reino de justiça e verdade. O reino é serviço e amor total. Todas as expressões e manifestações de poder que não se enquadram dentro do serviço e do amor total não são legítimas. 2. O reino de Deus foi confiado à comunidade cristã. Somos reino e sacerdotes para Deus. Nossa tarefa é trabalhar para que o reino aconteça em nossa história. A palavra de Deus que será proclamada nas missas tem como objetivo mostrar-nos como é o reinado de Jesus Cristo. A primeira leitura é um trecho do livro de Daniel O profeta possui uma dramática visão noturna e contempla saindo do mar que é o símbolo da desordem, quatro grandes animais: um leão, um urso, um leopardo e um quarto animal assustador, medonho, que tritura tudo com seus dentes de ferro. Esses animais representam os grandes reinos que se sucederam no mundo e que oprimiram o povo de Deus. O leão é a Babilônia; o urso e o leopardo representam a Média e Pérsia e a quarta fera simboliza o reino de Alexandre Mágno. O profeta Daniel anuncia a destruição destes reinos e que surgirá um “ser semelhante ao filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu”. Ele não vem do mar, mas do céu, isto é, de Deus. Ele não representa um indivíduo singular, mas todo o povo de Israel que, depois da grande tribulação recebe de Deus um reino eterno. A profecia se realizou em toda a sua plenitude só com a vinda de Jesus. A presença de Jesus revela que o reino do mal não terá uma duração eterna. A segunda leitura é um trecho do livro do Apocalipse. O trecho começa lembrando aos cristãos uma verdade fundamental da sua fé. “Cristo é o príncipe dos reis da terra”. Ele não destroçará e nem humilhará os seus inimigos pela força, mas transformará o coração deles: reconhecerão os seus erros e se converterão ao amor. No evangelho nos apresenta Jesus entregue nas mãos da autoridade romana, está sozinho, desarmado, não tem soldados que o possam defender. É um prisioneiro, abandonado até pelos seus próprios amigos, está sendo esbofeteado vilipendiado. Ele não é um perigo para nenhum poderoso de seu tempo. Jesus afirma: o meu reino não é deste mundo. Os reinos deste mundo apresentam algumas características bem definidas: são conduzidos por homens movidos pela ambição das riquezas e do poder, têm suas bases no emprego da força, são defendidos pelas armas. O reino de Jesus não se identifica com nenhum destes princípios. Jesus não elimina ninguém, é ele que morre, é obediente e se coloca ao lado dos humildes, daqueles que não têm valor nenhum. O “poder” se acha pleno quando conquista, extermina e adquiri. Grande, para Cristo, é aquele que serve. O reino de Cristo cresce onde se manifestam a atitude de serviço, a doação generosa em prol do irmão, onde cresce o respeito pelos outros, o encontro, o diálogo, onde se estabelecem relações novas entre os homens e as nações. PE. JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca

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