Os jovens e a AIDS


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Na próxima sexta-feira, dia 1º de dezembro, o mundo inteiro pára para pensar na aids. Suas novas vítimas, suas velhas vítimas, seus óbitos, a sobrevida de milhões de pessoas através dos coquetéis medicamentosos, promessas de uma vacina, enfim, história e esperança voltam à mídia em forma de consciência instantânea. Pensar em aids, no entanto, deve acontecer todos os dias. Principalmente para os jovens, que iniciam-se na vida sexual cada vez mais cedo. Para piorar, os números de ocorrência de casos em Franca preocupam: a cada 4 dias, uma pessoa é infectada com o vírus HIV (Sindrome da Imunodeficiência Adquirida, na sigla em inglês). Prevenir ainda é a melhor opção para diminuir os riscos de contaminação. Os dados são do Serviço de Assistência Especializada em DSTs/Aids de Franca (Doenças Sexualmente Transmissíveis), que, até o final do mês de julho, registrou 53 novos casos da doença. No total, existem hoje na região 103 jovens com idades entre 13 e 21 anos, infectados com a doença e em tratamento. O documento, no entanto, não contempla a estatística de infectados, que ainda não sabem de suas condições ou não iniciaram algum tipo de tratamento. O perfil destes adolescentes mostra que são de maioria solteira, tanto para os homens quanto para as mulheres. No caso dos jovens masculinos, muitos nem terminaram o primeiro grau, mas a maior amostra ocorre entre os que pelo menos ingressaram no ensino médio, mesmo não tendo concluído os estudos: 17 homens, num universo de 47. No documento do Serviço de Assistência, a maioria das garotas que contraíram o vírus HIV, 25, de um universo de 56, ainda não tinha completado o ensino fundamental. Também representam um grupo dominante de heterossexuais, mas que mantinham relações sexuais com múltiplos parceiros e seus parceiros, conseqüentemente, também tinham hábitos promíscuos. Os perigos de contaminação também foram encontrados entre pessoas que fizeram sexo com usuários de drogas injetáveis, mas em pequenos números, um alerta de que o sexo ainda é o maior veículo de transmissão da doença. Atualmente, a região, que abrange outros 21 municípios, está com 1109 pacientes ativos com diagnóstico confirmado e em tratamento. Desse total, são jovens e adultos, a maioria com idades entre 22 a 59 anos, que adquiriram o vírus mantendo relações sexuais sem preservativo. Em recente entrevista ao Comércio da Franca, o médico infectologista, coordenador do Ambulatório de DST/Aids da Prefeitura, Antônio Jorge Salomão, disse o que é repetido à exaustão nas salas de aula, pelos pais, na televisão ou em campanhas específicas: a forma mais eficaz de prevenção contra a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis continua sendo o uso da camisinha. “Quem não usa preservativo está correndo um sério risco de contaminação”, disse. COMO É O VÍRUS? O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é transmitido através de relações sexuais e transfusões de sangue entre outras maneiras. Ele destrói as células responsáveis pela defesa do organismo, tornando a pessoa vulnerável a doenças oportunistas. Os coquetéis são decisivos na saúde e na sobrevivência dos soropositivos, pois eles agem inibindo o vírus e suas reações. O ambulatório oferece gratuitamente esses medicamentos e investe em programas de prevenção. “Estamos constantemente orientando e esclarecendo dúvidas das pessoas, fazemos palestras e distribuímos materiais educativos. É um trabalho de longo prazo, mas que já começou a dar bons resultados”.

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