Um ano depois de ter sua falência decretada, a Alpha Promoções e Eventos ainda é o pesadelo de centenas de universitários. Especializada em formaturas, a empresa atuou em Franca por mais de dez anos, mas, no final de 2005, anunciou não ter mais condições de continuar operando e gerou um prejuízo estimado em R$ 2 milhões a cerca de 4 mil universitários das quatro faculdades da cidade (Unifran, Uni-facef, Faculdade de Direito e Unesp). A proprietária da falida empresa, Ana Cláudia Faria, agora responde na Justiça pelos calotes (leia mais no texto ao lado).
Como o resultado dos processos ainda deve demorar para sair, alunos lesados de vários cursos resolveram se unir para não deixar a noite especial de formatura passar em branco. Estudante do 4º ano de Química na Unifran, Renata Oliveira Silva, 22, é uma das vítimas da Alpha. Sua turma de 24 alunos se uniu a estudantes dos cursos de Biologia e Matemática para realizar a formatura que acontece de forma mais simples que a sonhada. No dia 21 de dezembro será a colação de grau e no dia 23, haverá um baile.
A festa, lamentou Renata, não foi a planejada, mas os universitários não desistiram do sonho. “No contrato com a Alpha teríamos três dias de festa. No primeiro seria a colação de grau mais boate, no segundo dia um jantar e no terceiro dia ocorreria um baile de gala. Tudo foi por água abaixo. Agora, teremos apenas a colação de grau com baile”.
Segundo Renata, os alunos de sua turma perderam cerca R$ 12 mil para a Alpha (pagaram por nove meses). Agora, os formandos fizeram um contrato para pagar a festa um mês antes e à vista. “Cada um vai gastar R$ 650”.
Eduardo Bachur, 21, se forma neste ano no curso de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Uni-Facef. Assim como inúmeros universitários, a sala de Eduardo também terá uma festa de formatura sem o suposto “glamour” que a Alpha ofereceria. Da sala de 50 alunos, pelos menos vinte já tinham desembolsado um pagamento de R$ 1,2 mil cada. O restante tinha planejado outras formas de pagamento. Eduardo foi um deles e, por sorte, não ficou no prejuízo. Ele havia decidido pagar a Alpha às vésperas da formatura. “Consegui me livrar do golpe”. Mesmo assim, a formatura dele será simples, já que os outros não têm mais recursos. Cada aluno vai desembolsar R$ 950 para ter a colação de grau e um baile, que serão realizados nos dias 8 e 9 de dezembro.
ESQUECIDOS
Marcela Aparecida Reis Rezende, 23, foi uma entre as centenas de universitários que também sofreram com o calote da Alpha no ano passado. Ela cursava o 4º e último ano de Sistema de Informação e pagou por dois anos a tão sonhada festa de formatura. Semanas antes da formatura, tentou contato com a agência. Foi aí que veio o pesadelo. A dona da empresa tinha desaparecido e os R$ 75 mil investidos pela turma já não existiam mais. Além de Marcela perder um investimento de R$ 1.350, teve de dar explicações para sua sala, já que participava da comissão de formatura.
Diferentemente dos alunos que logo decidiram levar o caso à justiça, a turma de Marcela preferiu esperar. “Não entramos na justiça de imediato, já que teríamos que pagar um advogado na mesma semana. E a formatura, como ficaria? Então resolvemos juntar com outros cursos e, com R$ 300 cada, fizemos o jantar com o baile. ”
DESAPARECIDA
A reportagem tentou localizar proprietária da Alpha, Ana Cláudia Faria, mas ela não foi encontrada em sua antiga residência e seus telefones estão desligados. O advogado de Ana, Paulo Tarso Careta, disse que ela está na cidade, mas viaja bastante a trabalho. O novo trabalho, segundo ele, não está ligado à realização de eventos, mas ele não revelou qual seria.
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