Análises arquitetônicas


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O arquiteto Mauro Ferreira na praça Barão, em frente a um dos prédios mordenistas, citados em seu livro que será lançado hoje.
O arquiteto Mauro Ferreira na praça Barão, em frente a um dos prédios mordenistas, citados em seu livro que será lançado hoje.
O arquiteto e professor Mauro Ferreira lança hoje, às 19 horas, na Associação dos Arquitetos e Engenheiros de Franca o livro Arquitetura e Urbanismo Modernos em Franca: fragmentos de uma trajetória. Trata-se de uma reunião de artigos escritos por Mauro, alguns em parcerias com outros arquitetos e estudiosos do espaço urbano como Sarah Feldman, Ioshiaqui Shimbo, Ulisses Sypriani, Linda Saturi, Cecília Sodré Fuentes e Raquel Licursi Benedetti. Todos os textos refletem preocupações acerca do espaço urbano de Franca, seu crescimento, sua arquitetura e preservação patrimonial. Para Mauro, um dos maiores problemas enfrentados por Franca atualmente é o crescimento disperso, nada compacto, o que faz com que surjam grandes vazios urbanos na cidade. Esses vazios são espaços que têm poucos moradores, às vezes um ou dois, mas que precisam de uma infra-estrutura de água, esgoto, luz, etc. Há lugares em que dezenas de postes ficam ligados e onde há apenas uma ou duas casas. Para Mauro esses problemas precisam ser resolvidos com um bom plano diretor. Com isso, os gastos municipais seriam menores e o desenvolvimento da cidade, maior. O interessante é que, embora esse seja um problema atual, Mauro já falava dele há muitos anos. Formado em arquitetura em 1974, chegou a trabalhar em outros municípios e até em São Paulo, mas preferiu voltar para a tranqüilidade de sua terra natal. Assim, pôde acompanhar de perto o crescimento da cidade. Politicamente ativo, participou da fundação do PT (Partido dos Trabalhadores) em Franca e atuou na administração municipal durante oito anos, na gestão de Gilmar Dominici. Isso o ajudou e estimulou a pesquisar e discutir questões relativas à arquitetura e ao urbanismo de Franca. Nos 12 artigos do livro há temas que são recorrentes, como a importância de um plano diretor bem feito e a relação direta que há entre a vida urbana, social e econômica da cidade, seu patrimônio arquitetônico e crescimento urbano. De que outra maneira se pode explicar, por exemplo, a criação de um Distrito Industrial, com centenas de fábricas? Entre os artigos mais interessantes do livro estão os dois que tratam do patrimônio modernista de Franca. Segundo Mauro, essa arquitetura modernista, racionalizada e com uso abusivo do concreto armado, simboliza um período de expansão comercial, industrial e social, representado pelo prédio da praça Barão, onde hoje funciona a Casa Barbosa e outras empresas comerciais, a construção da fábrica da Samello e a construção da sede central da AEC e do Clube dos Bagres. Esta última também pode ser considerada responsável pelo crescimento e divulgação do basquete local, que ganhou um lugar para abrigar seus jogos. Hoje, o problema enfrentado por esses prédios é a falta de preservação. No caso da Samello, é interessante ver como o prédio, onde ainda funciona a fábrica, foi projetado para abrigar uma indústria nos moldes tayloristas. Segundo artigo de Mauro, foi feito um concurso interno para escolher a empresa que executaria a obra e foi preciso obedecer às imposições da United Shoes, empresa americana que desenvolveu um rigoroso lay-out para suas máquinas e equipamentos. Foi uma obra com o objetivo de “racionalizar o trabalho e sua melhor organização”. Outra novidade foi o uso de um painel envidraçado em toda a extensão do corpo administrativo, uma forma de controle do chão de fábrica por seus dirigentes. Hoje, esse é um expediente usado por praticamente todas as empresas da cidade. O livro de Mauro Ferreira pode ser comprado em duas versões: papel e e-book (digital). Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 16-3722-1827.

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