Os últimos dez


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Tomada geral da área de produção da Samello, que está parada há 40 dias: retomada depende de decisão judicial
Tomada geral da área de produção da Samello, que está parada há 40 dias: retomada depende de decisão judicial
Dez funcionários. Esse é o número de trabalhadores a que ficou restrita a linha de produção da Samello. Na noite de ontem, o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, confirmou que a empresa rescindiu os contratos de 390 trabalhadores que poderão sacar apenas o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e o Seguro-Desemprego, já que a Samello alega não ter condições financeiras para quitar os demais direitos trabalhistas e o saldo de salários. No início da crise financeira, que explodiu em outubro, a indústria contava com aproximadamente 450 funcionários (400 na linha de produção e 50 em cargos administrativos). Agora, restaram apenas cerca de 50 funcionários na área administrativa e, caso a empresa consiga se recuperar judicialmente e voltar ao trabalho (leia texto ao lado), a produção contará com apenas 10 profissionais. E não é só: esses últimos funcionários também podem ser demitidos. O diretor do Sindicato dos Sapateiros, Sebastião Ronaldo de Oliveira, confirmou essa possibilidade. “A empresa vai ficando sem opção. Na verdade, acho que os que permanecem são, em sua maioria, funcionários que contam com estabilidade, como gestantes, integrantes da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) ou afastados por problemas de saúde”, disse. Durante todo o dia de ontem, a movimentação foi intensa na Samello. Foram distribuídas senhas para o atendimento e, ainda assim, não houve tempo para que se finalizassem todas as rescisões, o que deverá acontecer somente hoje. “Aqui é complicado. É demora para pagar, para se comunicar com a gente e até para demitir”, disse o pespontador AE, que aguardava na fila. “Pelo menos agora, poderei arrumar outro emprego”. O sentimento predominante entre os ex-trabalhadores da Samello era de revolta. A chanfradeira FA, que trabalhou por quatro anos na empresa, disse que se sente traída e que não acredita em um recebimento amigável de seu acerto. “Para mim, teremos de recorrer à Justiça se quisermos receber. Não vejo outro caminho. Isso me tortura, porque já colaboramos muito com a Samello, trabalhando depois do horário, domingos, feriados. Agora, nem saberemos se vamos receber”. SILÊNCIO GERAL A diretoria da Samello e o Departamento de Pessoal foram procurados para confirmar o número de demissões, mas o presidente da empresa, Miguel Sábio de Mello Neto, não foi encontrado e os funcionários do DP não quiseram dar entrevista.

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