Euripão era solteiro, não tinha endereço fixo e vivia perambulando pela região. Ninguém sabe ao certo onde estava morando, embora haja informação de que vivia na zona rural de Patrocínio Paulista. Também não portava documentos. Só no fim da tarde de ontem, os poucos familiares moradores da região conseguiram registrar o óbito. Ninguém quis velar o corpo.
Há mais de três anos, não era visto pela irmã Catarina Lúcia, 53. Ela, o marido e um enteado de 16 anos moram na zona rural de Cristais Paulista, onde cuidam de um sítio. A paz da família foi quebrada domingo à noite, quando Euripão apareceu repetindo velhas ameaças. “Ele chegou na outra fazenda da minha patroa e se tornou agressivo com o rapaz. Ele tinha bebido. Estava nervoso e muito agitado. Corri e me escondi, pois tinha medo dele. A polícia chegou e aconteceu isso. Escutei só os tiros”.
Abalada e chorando muito, a mulher disse que Euripão era agressivo. “Não vou negar, não. Ele era muito violento. Ele chegou perguntando ao vizinho onde nós estávamos. Meu sobrinho viu ele indo para cima do policial com um podão e a barra de ferro”.
A família de Catarina tinha medo de Euripão e evitava encontrá-lo, pois sabia que era confusão na certa. Ela mesma já havia sentido na pele a violência do irmão. “Ele já me ameaçou. Quando eu morava em outra fazenda, correu atrás de mim e do meu marido com uma foice para nos matar. Por causa disso, foi levado para a cadeia, mas foi solto logo depois”.
Segundo a polícia, Euripão tinha várias passagens por ameaça e lesão corporal. Diante do histórico de tanta violência, sua morte não foi lamentada pela família. “Para nós, foi um alívio, por mais que possa doer. Ele não me ouviu e acabou dando no que deu”, finalizou Catarina.
O corpo de Euripão foi sepultado ontem à tarde, no Cemitério Santo Agostinho, com trabalhos da Funerária Francana.
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