Em parceria com dez fábricas, a Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos mantém três galpões para a oficina de montagem de caixas de calçados. O objetivo é ocupar o tempo ocioso dos deficientes e proporcionar-lhes opção de renda complementar ao benefício do INSS e aposentadoria, além de ser um serviço de terapia. As firmas encaminham as caixas cortadas para serem montadas e pagam pelo serviço. São produzidas cerca de 10 mil unidades por dia.
Donizete José Francisco, 51, é um dos 20 participantes do projeto. Todos os dias, ele passa cerca de dez horas na instituição. Habilidoso, monta tampa e parte de baixo em apenas 11 segundos. “No começo, foi mais difícil, mas treinei e hoje já estou acostumado com o serviço”. Ele diz montar 1200 caixas diariamente e recebe, em média, R$ 300 por mês com o trabalho. “É muito bom passar o tempo aqui. A gente conversa, faz amizades.” Além de atuar na oficina, Donizete, que é usuário na entidade há 14 anos, faz aulas de informática.
Donizete perdeu a visão aos 29 anos. Funcionário de um curtume, trabalhava com tingimento de couro e se acidentou. Ao subir numa escada, desequilibrou-se e caiu sobre um balde de ácido sulfúrico. A máscara que protegia seu rosto escapou, a substância atingiu seus olhos e causou queimadura de terceiro grau em outras partes do corpo. “Quase perdi a vida.” Ele não enxerga nada. “Tive de recomeçar a vida, reaprender tudo.”
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