Aprender e ensinar: os desafios diários


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O professor Luiz Quirino mostra como usa o computador nas aulas de informática na sociedade dos Cegos
O professor Luiz Quirino mostra como usa o computador nas aulas de informática na sociedade dos Cegos
A Sociedade dos Cegos recebe em média 50 pessoas para atividades físicas, artesanais e aulas de informática todas as semanas. Nove profissionais as monitoram. Como os alunos, eles também vencem limitações. Sílvia Roncari, professora de educação física há 16 anos, ganhou uma nova missão em 2000: assumir as aulas com deficientes visuais na entidade. “Foi uma surpresa. Tinha apenas a formação básica, sem preparo para lidar com pessoas sem ou com pouca visão.” Disposta, ela conseguiu adaptar exercícios e mudar a rotina dos usuários. “Com o tempo, fui descobrindo como ensiná-los e que são capazes. Eles provam para si mesmos que têm capacidade e eu vivo isso junto com eles, a mesma expectativa e sensação de vitória quando conseguem.” Em três dias da semana, Sílvia auxilia os alunos da sociedade a andar de bicicleta, nadar, fazer exercícios físicos e jogar futebol (goal ball). Além dos problemas de visão, alguns possuem deficiência mental, síndrome de Down, são autistas ou ficaram com seqüelas de derrames. “Eles são muito esforçados e nós, com paciência, os ajudamos a superar as dificuldades”, disse a professora, que é funcionária municipal cedida pela Prefeitura. A dona de casa Pollyana Silva, 28, é uma das usuárias. Ela faz natação, artesanato e informática. Além de se livrar da depressão, a saúde dela melhorou. “Tenho problemas respiratórios e me cansava rápido. Perdi o medo da água e, depois de começar a nadar, fiquei com mais disposição”, disse ela, que enxerga pouco e embaçado. Luiz Quirino de Sousa, 52, é outro profissional a contribuir com o aprendizado na Sociedade dos Cegos. Ele é um exemplo de superação. Na adolescência, sofreu hemorragia em um dos olhos depois de levar uma pedrada. Aos 15 anos, perdeu a outra visão. “Tenho miopia e acho que o fato de forçar para enxergar com apenas um olho provocou o descolamento da retina e me deixou cego.” Mesmo sem ver, Luiz é formado em três cursos superiores. Cursou Direito na Faculdade de Direito de Franca, História na Unesp e Pedagogia na Faculdade de Ituverava, além de dois cursos de Inglês. Os amigos o ajudavam. “Eles liam os livros para mim e eu gravava as aulas para estudar. Também sempre gostei de aprender. Vivo para isso.” O professor freqüenta a entidade para deficientes visuais há 35 anos e há 23 começou a ensinar braile e agora informática. Ele está com 30 alunos e, para ensiná-los, utiliza o programa Virtual Vision, que sonoriza as funções do computador e permite que manuseiem programas do Windows, internet, Skype, etc. “Hoje, com o computador, está tudo mais fácil.”

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