Muito além da visão


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A professora de Educação Física, Silvia Roncari, bate palmas para orientar um dos alunos a andar de bicicleta
A professora de Educação Física, Silvia Roncari, bate palmas para orientar um dos alunos a andar de bicicleta
Imagine caminhar pelas ruas, lavar louças, abrir latas, nadar, jogar bola e até mesmo pedalar uma bicicleta ou assar um bolo com os olhos totalmente vendados. Dificílimo, não? Parece quase impossível, mas pessoas com pouca visão ou cegas conseguem fazer essas tarefas graças ao apoio que recebem da Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos. A instituição foi montada por amigos em 1957. Durante 43 anos funcionou como asilo. Em 2000, o perfil de atendimento mudou com a instalação do Centro Educacional, Cultural e Profissionalizante. “Não incentivamos mais o asilamento porque isso leva ao comodismo dos deficientes e as famílias se abstêm da responsabilidade de auxiliá-los. Nossa finalidade é proporcionar independência”, disse a assistente social Rosângela Coelho. Todas as semanas, 50 pessoas, em média, participam das atividades gratuitas no Centro Educacional. Ao todo, são 200 deficientes atendidos. No grupo de AVC (Atividade de Vida Diária), aprendem a lavar louças, arrumar a cama, escovar os dentes, separar a clara da gema, abrir latas, ir ao supermercado e cozinhar. Na semana passada, uma das turmas fez brigadeiro e assou bolo. Eles se orientam pelos outros sentidos e sabem se o alimento está assado ao enfiar um palito de dente e tateá-lo para sentir se a massa ainda está crua (úmida) ou pronta (seca), além do cheiro. Há também artesanato para confecção de tapetes e bolsas, aulas de braile, informática, curso de orientação e mobilidade com bengala e atendimento terapêutico. [FOTO2] Nas aulas de educação física, os alunos fazem natação, ginástica, jogam bola, correm e andam de bicicleta. Eles são guiados pelo som das palmas de alguém ou por um vidente (por alguém que enxerga) que diz se têm de virar à direita ou à esquerda. A Sociedade dos Cegos possui uma audioteca onde voluntários gravam a leitura de livros para os que precisam e não encontram em braile. A manutenção depende de verbas municipal, estadual e dos sócios-contribuintes. INDEPENDÊNCIA A instituição não é espaço apenas para aprendizado e inclusão dos deficientes. Paulo Cintra, 40, e Lucélia Carrijo, 42, se conheceram lá há nove anos, namoraram, noivaram e estão casados desde maio de 2003. Os dois moram sozinhos e cuidam da casa em que vivem no Jardim Palestina e produzem cintos para vender. Desde que nasceu, ela vê apenas claridade; ele ficou cego aos 23 anos por descolamento da retina. “Minha mulher sempre se virou bem, mas eu só consegui andar sozinho depois de passar pela Sociedade dos Cegos.” Os interessados pelos serviços devem procurar a entidade das 14 horas às 17h30, e apresentar atestado médico informando o nível de acuidade visual. A Sociedade dos Cegos fica na Rua Santa Catarina, 802, Vila Aparecida. O telefone é (16) 3725-9212 ou 3725-9228.

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