O gráfico José Antônio Rodrigues, 48, morreu, na manhã de sábado, vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral), na porta da Santa Casa de Franca, à espera de atendimento médico. Foram pelo menos 20 minutos de angústia dos familiares, que encontraram o pronto-socorro do hospital fechado e não conseguiram fazer com que Rodrigues recebesse ajuda a tempo. O médico plantonista da Santa Casa teria alegado que, apesar da gravidade do caso, não socorreria a vítima sem um encaminhamento prévio do PS “Dr. Janjão”. O caso está na polícia, que investigará a suposta negligência.
Rodrigues morava em Anápolis (GO) e tinha vindo passar o fim de semana em Ibiraci (MG), na casa de familiares. Por volta de cinco horas de sábado, o sitiante Sebastião Pinheiro, 67, primo da vítima, disse que foi acordado com um forte barulho.
Encontrou o gráfico caído no chão do banheiro. “Pegamos ele, eu e outro primo, e o levamos ao pronto-socorro da cidade. Lá, o médico disse que era grave e mandou ele, de ambulância, para ser internado em Franca”.
Ao chegar na Santa Casa, às 5h40, Pinheiro disse que as portas do plantão estavam trancadas e não conseguiu entrar com a maca, onde Rodrigues agonizava. “Foi um pesadelo. Meu primo morrendo e eu tentando negociar sua vida com os funcionários. Até que o médico me falou que sem os documentos de encaminhamento não seria atendido. Cansei de discutir e fui ao orelhão chamar a polícia, mas, nisso, ele morreu”. Pelo BO, a morte ocorreu às 6 horas.
Embora não se possa afirmar que o atendimento eficaz da Santa Casa pudesse salvar o gráfico, um neurologista ouvido pelo Comércio afirmou que, quanto mais rápido o socorro, maiores são as chances do paciente.
O corpo de Rodrigues, que era casado e deixa três filhos, com idades entre 20 e 27 anos, foi velado em Franca, no Velório São Vicente, e trasladado pela Funerária Nova Franca para Anápolis, onde será sepultado hoje à tarde.
Nove telefonemas foram feitos para os celulares do provedor da Santa Casa, Onofre Trajano; do superintendente, Fernando Bueno, e da assessora de imprensa, Jacinta Sad. Ninguém retornou.
Nesta semana outro caso chamou a atenção. O molineiro Cleiton Silva, 26, ficou 20 horas numa maca no ‘Doutor Janjão’ esperando que a Santa Casa auto-rizasse sua internação. Silva, que sofre de diabetes, sentia fortes dores do lado esquerdo do peito, estava trêmulo e com as pernas roxas. Seguindo o procedimento, quatro faxes foram enviados, entre as 21 horas de 3ª f e as 17 horas de 4ª f, para que o paciente fosse internado’. A autorização só foi concedida após intervenção policial.
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