Com a produção parada desde 16 de outubro, a Samello já deixou de produzir, pelo menos, 50 mil pares de calçados, amargando um prejuízo superior a R$ 2,5 milhões. Foram 25 dias úteis sem fabricar.
A direção da empresa afirma que, se estivesse capitalizada, produziria até janeiro, pois pedidos não faltam. Mas sem investimentos e sem conseguir vender bens para quitar a folha de pagamento e pagar fornecedores, as portas da Samello continuam fechadas. O número de funcionários da linha de produção, que antes da paralisação era em torno de 400, hoje não chega a cem.
Esse número não é confirmado pela diretoria da empresa, mas segundo informações não-oficiais, na mais recente etapa de demissões, que aconteceu segunda-feira, 13, restaram apenas 90 trabalhadores. Foram os funcionários que optaram pela demissão, uma vez que estão sem receber quatro folhas de pagamento.
Na terça-feira, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial. Caso a decisão da justiça seja favorável, a Samello pode voltar a produzir em janeiro com o quadro reduzido de funcionários e apenas para atender ao mercado externo.
O advogado da empresa, Reginaldo Luiz Estefaneli, acredita que o resultado da decisão judicial saia na próxima semana. A partir de então, se o juiz for favorável ao pedido, a empresa terá 60 dias para apresentar o plano de recuperação. Só depois é que será convocada uma assembléia com os credores para estabelecer como será feito o pagamento.
No plano de recuperação, os credores são classificados em três categorias: trabalhadores, fornecedores e credores com garantia.
Os trabalhadores, segundo Estefaneli, não precisarão esperar as datas estabelecidas no plano. “Nos comprometemos a pagar os salários assim que a empresa conseguir vender algum bem”, disse o advogado.
Entretanto, se o juiz considerar improcedente o pedido de recuperação judicial, ele poderá decretar a falência da empresa.
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