Mais um ciclista morreu nesta semana em Franca. A sapateira Roberta de Souza Assis, 29, perdeu a vida ao ser atropelada por uma Saveiro desgovernada na avenida Dom Pedro, na última terça-feira. Em média, a viatura de resgate do Corpo de Bombeiros atende quarenta ocorrências por mês envolvendo acidentes com ciclistas. Na opinião do sargento Salviatto, o cenário é de uma verdadeira “guerra” entre os automóveis e as bicicletas: “Geralmente o ciclista, por alguma imprudência, acaba causando o acidente, e pela fragilidade de seu veículo sempre leva a pior e sofre ferimentos graves”.
O bombeiro afirmou que em 90% das ocorrências envolvendo carros e bicicletas o acidente é causado pelo ciclista.
Circular na contramão de direção, transitar em calçadas e desrespeitar os semáforos são infrações comuns praticadas pelos “pilotos das magrelas”.
Segundo Sérgio Buranelli, diretor da divisão de segurança e serviços de trânsito da Prefeitura, não há números exatos sobre quantas bicicletas circulam pela cidade: “Como as bicicletas não são emplacadas, é quase impossível fiscalizar e tentar educar essas pessoas. Infelizmente, muitos são imprudentes e acabam causando acidentes.”
Ricardo Silva Oliveira, 38, é motorista de uma empresa de calçados no Distrito Industrial e diz que sempre está atento para não se envolver em acidentes, principalmente nos horários de maior movimento. “Tem muita gente imprudente. Já vi duas, até três bicicletas, andando uma ao lado da outra, e se a gente tenta dizer alguma coisa para orientar os ciclistas somos até ofendidos.”
O comerciário Anselmo Luvisoto, 27, percorre diariamente o trecho que vai de sua casa, na Vila Santa Maria do Carmo até o Centro com sua bicicleta, e reclama do descaso dos motoristas. “Parece que o pessoal que anda de carro não tem o costume de dar seta e olhar no retrovisor. Já tomei muitas fechadas e por muito pouco não sofri acidentes.”
Luvisoto afirma que este problema é mais grave nas ruas centrais. “As ruas do Centro são muito estreitas, mal dá pra passar um carro. Muitas vezes sou obrigado a subir na calçada para não atrapalhar o trânsito”, afirma.
Em Franca, existe apenas uma ciclovia, com aproximadamente três quilômetros de extensão, ligando a Estação ao Distrito Industrial. O empresário Márcio Antônio Garcia faz passeios diários na pista, e reclama: “Nem na ciclovia somos respeitados, pois é comum o pessoal fazer caminhada aqui. Além disso, a ciclovia tem seu percurso cortado por ruas movimentadas. Temos de ficar bem atentos para evitar acidentes.”
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