Terra em perigo


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O mundo está preocupado com o aquecimento global, que deve trazer sérias conseqüências para diversos países, tanto ambientais quanto econômicas. Estudos divulgados mostram que o planeta vai sofrer com secas prolongadas e também com fenômenos contrastantes, como quedas drásticas de temperatura e uma maior temporada de crescimento vegetal. Para o Brasil, a organização não-governamental Greenpeace prevê, no próximo século, litoral com ciclones tropicais e avanço do nível do mar. Além disso, as paisagens da floresta amazônica e Nordeste poderão se tornar desérticas e uma reorganização da produção agrícola deverá acontecer. Essas previsões estão no documento “Mudanças do Clima, Mudanças de Vida - Como o aquecimento global já afeta o Brasil”, apresentado pela ONG, em outubro, em São Paulo. O levantamento inclui pesquisas de universidades e órgãos ambientais nacionais e internacionais. Uma das principais ênfases do relatório do Greenpeace é a região da Amazônia. De acordo com o documento, o desmatamento da região contribui hoje com 200 a 300 milhões de toneladas anuais de emissão de gases de efeito estufa, ou seja, o dobro ou triplo do que é emitido no Brasil através da queima de combustíveis fósseis. Com o aquecimento global, a Amazônia poderia entrar em um processo de savanização, tornando algumas de suas áreas mais secas e pobres que o cerrado brasileiro nos próximos 50 anos. Para o mundo, o estudo feito pelo Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica dos EUA constatou que o Brasil, o Mediterrâneo e o oeste dos Estados Unidos estão entre as regiões que mais vão sofrer com o aquecimento global. O documento, divulgado em 20 de outubro deste ano, é uma prévia de um relatório programado para sair em 2007. Outro levantamento de âmbito mundial, divulgado pela Agência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (UNFCCC), diz que a emissão de gases que causam o efeito estufa aumentou 2,4% entre 2000 e 2004 nos países industrializados, mesmo com as metas do Protocolo de Kyoto, criado em 1997, com o comprometimento de 140 países. O objetivo do Protocolo é atenuar o aquecimento global e impor restrições às emissões de gases. Atualmente, as metas de redução de emissões abrangem apenas 35 nações industrializadas que deverão, em média, chegar ao período de 2008 a 2012 com um nível de emissões 5% mais baixo que o apurado em 1990. Segundo o estudo da UNFCCC, nos 41 países pesquisados, as emissões passaram de 17,5 bilhões de toneladas para 17,9 bilhões de toneladas de gases, mostrando que os países industrializados devem intensificar seus esforços para reduzir a emissão de gás carbônico na atmosfera. O Brasil não foi mencionado nos dados levantados porque não está obrigado a cumprir a meta de redução das emissões. Pelos dados da UNFCCC, os Estados Unidos estão entre os casos preocupantes, já que as emissões cresceram 15,8% entre 1990 e 2004. Em 2001, o governo do presidente George W. Bush anunciou que não obedeceria às metas do Protocolo de Kyoto. Além das complicações ambientais, o governo britânico publicou, no último dia 30 de outubro, um relatório oficial (Stern Review) sobre as conseqüências econômicas das mudanças climáticas. Segundo o documento, mais de 200 milhões de pessoas poderiam ser deslocadas pela elevação do nível do mar, 40% das espécies poderiam ser levadas à extinção e o PIB mundial poderia cair em até 20% em função dos impactos das mudanças climáticas. Fonte: Agência Graffo

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