Em sua página no Orkut, modelo dizia gostar de batata frita e açaí


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Uma menina que amava batatas fritas, milk shake e açaí na tigela, mas que certamente se privava desses prazeres para não engordar e permanecer dentro dos padrões de magreza para o mercado da moda. Pela página da modelo Ana Carolina Reston no site de relacionamentos Orkut, ninguém diria que ela sofria de um transtorno alimentar grave e que a anore-xia nervosa a levaria à morte. Ao contrário de milhares de participantes das comunidades que incentivam os distúrbios alimentares, Carolina fazia parte de grupos como “Eu amo batata frita” e “Adoro tomar milk shake”. As comunidades conhecidas como pró-ana e mia, como as doentes apelidaram a Anorexia e Bulimia, não param de aumentar, além do número de blogs que tratam do cotidianos dessas meninas - a grande maioria dos portadores dessa doença é formada por mulheres e jovens. Nessas comunidades onde o alimento é visto como um inimigo, mais da metade das participantes utiliza um perfil falso, com fotos de modelos magérrimas, para impedir que parentes e amigos saibam que estão doentes. Ali elas discutem métodos radicais de emagrecimento, como ‘miar’ (vomitar) e incentivam-se mutuamente a aderir a dietas de pouquíssimas calorias (low food) ou ao jejum absoluto (no food). A descrição da comunidade intitulada Maldita Comida, que possuía até quarta-feira passada 2150 membros, dizia: “Se você não é magra, não é atraente. Ser magra é mais importante do que ser saudável. Você precisa comprar roupas, cortar o cabelo, tomar laxantes, qualquer coisa que te faça parecer mais magra. Você não deve comer sem se sentir culpada”. Num dos tópicos, uma garota se lamenta por não conseguir comer e vomitar. Uma outra responde: “Toma leite com sal. É ruim, mas sai muito”. Até a tarde de quarta, quando a matéria foi escrita, nenhuma das participantes havia mencionado o caso da modelo morta em conseqüência da anorexia. Na comunidade “Eu tenho bulimia”, uma jovem identificada como Thata diz ter pegado nojo de comida. Ela se gaba de que, desde que começou a vomitar, não engorda mais nem um grama. Além das comunidades de incentivo aos transtornos alimentares, há aquelas que tentam ajudar às doentes. Em “Bulimia e Anorexia”, um tópico lamenta a morte da modelo paulista e diz ter servido de alerta para outras meninas que tenham obsessão pela magreza. Na página de recados de Ana Carolina Reston, centenas de desconhecidos, parentes e amigos manifestavam seu pesar e também demonstravam indignação com o padrão de beleza que exige que as modelos sejam excessivamente magras.

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