Inimigo invisível


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Aspirante ao mundo da fama, a modelo Ana Carolina Reston, de 21 anos, encerrou sua carreira ao chegar aos 40 quilos distribuídos em 1,74 metro. Depois de três semanas internada com uma dor nos rins, Carolina morreu de infecção generalizada na terça-feira, dia 14, em decorrência de um distúrbio alimentar que a cada dia assombra mais as clínicas de médicos e psiquiatras: a anorexia. Segundo Dani Grimaldi, a prima com quem a modelo morava atualmente em São Paulo, Carol sofria de outro problema grave, a bulimia. “Ela comia e 15 minutos depois ia ao banheiro. Ligava o chuveiro para ninguém escutar.” Bulimia é o nome dado à doença em que o vômito é provocado após a ingestão de comidas. Casos como o de Ana são comuns, segundo o chefe do grupo de obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas de São Paulo, Alfredo Halpern. “Entre modelos e bailarinas é mais freqüente que em outras profissões. Em alguns casos, tem de se internar e passar a sonda para alimentar o paciente.” Ainda segundo familiares, ultimamente Carol só comia maçã e tomate. “E, em seguida, entrava no banheiro para vomitar”, disse sua prima Geise Strauss. SONHO Antes de ir morar com Dani, há um mês, Ana viveu por um tempo com a mãe, Míriam Reston, em sua chácara, em Pirapora do Bom Jesus, interior de São Paulo. A mãe lembra que a menina sonhava em ser modelo desde criança. “Andava com meu salto, se arrastava pela casa. Vivia se pintando”, disse. Aos 13, conseguiu um espaço. Não demorou muito e começou a trilhar a carreira pelo exterior: México, China e, por último, de onde voltou em dezembro, Japão. Foi depois da última viagem que Míriam se assustou. “Veio muito magra de lá. Quando mandava ela comer, respondia: Mãe, mãe, mãe... não briga comigo.” A reportagem procurou a última agência da modelo, a L’Equipe, mas não localizou ninguém hoje. OUTRA VÍTIMA A anorexia nervosa não é problema apenas de modelos. A universitária Carla Sobrado Cassalle, 21, morreu anteontem (16), vítima de complicações decorrentes de anorexia nervosa e bulimia, em Araraquara. Ela estava internada no Hospital Beneficência Portuguesa desde segunda-feira (13), quando sofreu duas paradas cardíacas. Carla, que cursava o 3° ano de Moda da Faculdade Anhembi Morumbi, em São Paulo, foi sepultada ontem. O pai de Carla, o engenheiro Antônio Carlos Cassalle, diz que a menina não admitia a doença e tomava remédios diuréticos com base em informações obtidas em sites da internet. Ela media 1,70 metro e pesava 45 quilos. Na fase mais crítica da doença, há um ano, chegou a pesar 38 quilos. O pai dela conta que em muitos momentos, durante o tratamento, a jovem melhorou, mas logo depois voltava a emagrecer abusando dos remédios. "Ela nunca aceitou que estava doente e achava que isso era implicância nossa", diz um tio.

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