A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Tráfico de Armas da Câmara dos Deputados pedirá ao Ministério Público o indiciamento da advogada francana Adriana Telini Pedro por envolvimento com o crime organizado. O pedido consta do relatório que será analisado e julgado na próxima terça-feira,21, às 14 horas, no Plenário 13 do Anexo II da Câmara dos Deputados, em Brasília. A afirmação foi feita pelo vice-presidente da CPI, deputado federal Neucimar Fraga (PL-ES), ontem à tarde, em entrevista exclusiva à Rádio Difusora AM (1.030 kHz).
Além dela, outras três advogadas, todas presas na penitenciária feminina de Ribeirão Preto, também terão seus respectivos indiciamentos solicitados pelos parlamentares.
Se for efetivamente indiciada, Adriana Telini Pedro poderá responder por crime de associação para o tráfico de drogas. O deputado vê evidências de envolvimento não só de Adriana Telini como dos demais advogados que foram ouvidos pela CPI com o crime organizado. “Existe uma disposição do relator e demais membros de indiciar todos os advogados identificados como membros de facções criminosas. Mas eles serão indiciados somente após a aprovação do relatório”, afirmou Neucimar, entrevistado ao vivo no programa Fale sem Medo.
Na mesma entrevista, Neucimar Fraga, que passa a semana em sua base eleitoral, no Espírito Santo (ele retornará a Brasília na próxima terça-feira), acredita que o relatório será aprovado sem maiores problemas. “Existe entre nós uma tendência de aprovação do relatório por uma necessidade de dar uma resposta à sociedade brasileira em relação a alguns advogados que extrapolaram o direito constitucional de defesa de seus clientes e passaram a ser agentes e parceiros de criminosos no Brasil”. Além da advogada francana Adriana Telini Pedro, a CPI pedirá o indiciamento de Maria Cristina Rachado (advogada de Marcos Willians Camacho, o Marcola), Valéria Dammous e Libânia Catarina Fernandes. Estas três últimas estão presas na penitenciária feminina de Ribeirão Preto.
Adriana Telini Pedro foi flagrada em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça combinando assaltos com bandidos presos, através de ligações para telefone celular. Nas mesmas gravações, a Polícia descobriu que Adriana escondeu o bandido Eurípedes Moura Júnior, vulgo Perna, em junho de 2005, dentro de seu escritório, anexo a sua casa, na Rua Marechal Deodoro, esquina com a Estevão Leão Bourroul, no Centro. O marginal era fugitivo da cadeia do Jardim Guanabara. Todas as reveladoras gravações telefônicas foram feitas ao longo de 2005.
Processo disciplinar
No dia 21 de maio, o jornal Comércio da Franca publicou o conteúdo das primeiras gravações. Somente a partir de então, a diretoria da subsecção local da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se movimentou e abriu um processo disciplinar contra a profissional. Ela foi, primeiramente, suspensa da entidade por 90 dias. No dia 15 de setembro, Adriana foi condenada a um ano de suspensão de suas atividades pela 13ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB em Ribeirão Preto. Entretanto, impetrou recurso na OAB/SP e continua exercendo a advocacia normamente desde 30 de setembro. O presidente da subseção local, Marco Aurélio Gilberti Filho, sabia das denúncias contra a advogada havia oito meses antes da divulgação das primeiras denúncias, mas disse que nada poderia fazer.
Rui Engrácia Garcia, advogado de Adriana Tellini, não foi encontrado pela reportagem, mas disse ao jornal Folha de S. Paulo que a cliente teve só um relacionamento amoroso com “um cara da facção” (Evandro Carlos da Silva, preso na cadeia de Mirandópolis), mas que isso não indica envolvimento com o PCC.
Já o advogado Antônio Moraes Silva, que defende Adriana na Comissão de Ética da OAB em São Paulo, disse que ainda tenta reverter, em grau de recurso, a suspensão de um ano imposta à sua cliente, e que acredita em sua absolvição.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.