Paixão por mangás


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História em quadrinhos japonesa, conquista brasileiros e francanos
História em quadrinhos japonesa, conquista brasileiros e francanos
Nada de Batman, Super-Man, Homem-Aranha ou Mulher Maravilha. Agora, a moda é gostar de Musashi, Lobo Solitário, Dragon Ball Z e Cavaleiros do Zodíaco. Estes são os principais “super-heróis” dos mangás, quadrinhos japoneses que conquistaram os brasileiros. Estima-se que essa arte tenha surgido no século 19, quando o artista japonês Katsushita Hokusai retratou cenas do cotidiano com pessoas em situações e traços pitorescos. Essa coleção de caricaturas recebeu na época o nome de Hokusai Mangá, o precursor do gênero. O responsável pela popularização dos mangás foi Osamu Tezuka,o “Walt Disney” japonês, que começou a dividir as histórias em vários quadrinhos e fez uso de uma diagramação dinâmica, linhas de ação e muitos efeitos gráficos, o que conquistou os jovens. Além disso, é dele a idéia de colocar olhos grandes nos personagens, uma característica marcante de seus mangás. No Brasil, o trabalho mais conhecido de Osamu Tezuka é A Princesa e o Cavaleiro. Hoje, os mangás se subdividem em dezenas de categorias. Há desde histórias para crianças até aquelas feitas para executivos ou mães. Em geral, esses quadrinhos são verdadeiras novelas, nas quais cada revista pode ser considerada um capítulo. Há histórias que chegam a ter mais de 50 volumes. No Brasil, o hábito de ler mangás ainda é tímido se compararmos com o Japão, onde as pessoas lêem as revistas enquanto esperam o farol abrir ou dentro do ônibus. Por aqui, há muitos apaixonados e colecionadores. Em Franca não é diferente. Apesar desses quadrinhos japoneses terem chegado às bancas locais há pouco tempo, já conquistaram muitas pessoas. É o caso de Antônio Stéfano de Almeida, 26, que tem centenas de mangás em casa. A sua paixão começou por causa dos desenhos do Jaspion, que ele adorava assistir na televisão. “Quando começaram a chegar os mangás em Franca, comecei a comprar e fui gostando cada vez mais”, conta. Hoje, ele tem algumas coleções como Vídeo Girl, Yoyu Haku, Vagabond e Musashi. Mas por que os mangás e não os super-heróis convencionais? “Porque o mangá é mais visual e tem mais ligação com cinema. Muitas vezes, pela expressão do personagem você já sabe o que ele sente”, explica. Essa ligação com cinema da qual fala Antônio pode ser traduzida pelos quadros e planos usados nos mangás. Não é à toa que boa parte das revistas se transforma nos chamados animês (ou vice-versa, os animês também se transformam em mangás). Como exemplo, podemos citar os conhecidos Speed Racer, Sailor Moon, Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z. O auxiliar financeiro Thiago Buscaratti de Souza, 20, é apaixonado por animês. Como os vídeos não chegam ao Brasil, ele compra em São Paulo, de pessoas que gostam e possuem as cópias. “O pessoal não vende para ganhar dinheiro. Por isso, cobram só os custos da gravação”, conta. A paixão dele por animês e mangás começou quando tinha 5 anos e morava em Belo Horizonte, Minas Gerais. “Lembro que a TV Manchete começou a passar desenhos japoneses, como Dragon Ball Z, e eu gostei e comecei a comprar mangás”, diz. Thiago não sabe quantificar sua coleção. “Tenho muita coisa. Mas nunca parei para contar”, diz. Hoje, um de seus programas prediletos é se reunir com outras pessoas que gostam dos mangás para trocar idéias e conhecer as novidades. “Tem muita gente que participa de encontros em Ribeirão Preto e São Paulo e traz novidades para cá”. DIRETO DO JAPÃO Tayra Ferreira Szabo, 17, há dois meses em Franca, passou oito anos no Japão. Lá, conviveu de perto com a paixão oriental pelos mangás. Fluente na língua, só tem em sua coleção revistas originalmente japonesas, incluindo as que ensinam o passo-a-passo de como desenhar os personagens. “Lá é muito comum. Todo mundo gosta e lê mangás, até os adultos”, conta. A paixão japonesa é tão grande que acontecem encontros periódicos entre os amantes dos mangás. Sempre que podia, Tayra viajava sete horas da cidade onde morava até Tóquio, onde os encontros acontecem. A peculiaridade desses encontros é que muitas pessoas vão vestidas como personagens dos mangás. “As lojas vendem fantasias de alguns personagens”, conta. Se aqui isso parece estranho, lá é mais do que comum. “As pessoas lêem mangás em qualquer lugar, no trânsito, nas praças, nos ônibus”. A coleção de mangás e animês de Tayra rendeu excesso de bagagem na viagem de volta do Japão. Agora, ela espera ansiosa a chegada do restante da coleção, que está a caminho vindo de um navio.

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