No lado esquerdo pulsa o coração que faz a nossa mente pensar e coloca o corpo todo em movimento. O esquerdo é o lado de onde emana a emoção, a paixão e a razão de viver. Na sociedade, esquerda é o conjunto de partidos ou líderes políticos que se identificam com os ideais socialistas, mas também é o conjunto das forças vivas do povo que se movimenta e move a população a lutar em defesa do bem comum. O ‘lado esquerdo’ da sociedade brasileira é onde estão concentrados muitos movimentos sociais, ONG’s, pastorais, partidos e os mais variados tipos de associações que trabalham em favor da liberdade, do respeito, da dignidade das pessoas e de toda a natureza.
Diante de tanta corrupção e falcatruas, o lado esquerdo está fragilizado, ferido, mas não perdeu sua essência e especial função no organismo que move a vida. Os oportunistas tiram proveito do lado esquerdo porque ele é múltiplo, não comporta um pensamento único. Nos anos 80 havia em Franca uma movimentação maior da sociedade que agia, como o lado esquerdo do corpo humano, em torno do ideal comum de construir uma cidade com democracia, dignidade e justiça social. O Bar da Careta era ponto de encontro e de discussões calorosas sobre a conduta das lideranças políticas, religiosas e empresariais da comunidade.
Havia, naquela época, um interesse mais explícito, declarado e vigilante em prol do bem comum, livre do favorecimento de alguns.
Nos anos 90, a esquerda experimentou o poder político e sentiu suas limitações e dificuldades. Também deu alguns tropeços e teve contratempos para colocar em prática aquilo que se defendia em discursos e teses. Deixaram que se perdessem os sonhos, o carisma e os ideais da esquerda. E, com isso, os movimentos sociais também tiveram momentos difíceis, sofrendo o distanciamento das idéias. A análise constante dos destinos da sociedade evolui de acordo com a luta pelos interesses do bem comum. Essa quietude e dormência, a falta dessa movimentação, resultam nessa ausência de esperança. Recentemente a ONG Franca Viva realizou uma caminhada invocando o resgate da cidadania.
Tomando essa iniciativa como exemplo, deveríamos promover um novo e amplo manifesto, desta vez com uma participação maior do nosso lado esquerdo. Reunir a comunidade no pensamento único de que, apesar dos que se vendem e dos que se rendem, vale a pena seguir a marcha por justiça e paz, por vida digna e liberdade.
ALEXANDRE TABAH é sócio-diretor do Shopping do Calçado de Franca, da Alta Publicidade e Marketing e Presidente da Associação dos Moradores dos Bairros Recanto Fortuna e Jardim Monte Carlo
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