Desempregada, sem nada para comer, com o aluguel, água e luz atrasados há três meses, um filho de 2 anos e o marido internado no Hospital Allan Kardec. Essa é a realidade de Danuza Veronez da Silva. 18. Ela mora numa casa de fundos (sala, quarto e cozinha) no Jardim Brasilândia e pede ajuda. “É muito triste você ver um filho chorar de fome e não ter nada para comer. Só tinha um pouquinho de arroz”.
A família saiu de Claraval (MG) há cinco meses em busca de um futuro melhor, mas a vida em Franca não está sendo fácil.
Desempregado há três meses e desesperado com a situação que enfrentava, o marido de Danuza, Edvaldo Donizete de Moraes, 31, tentou se matar duas vezes. A última tentativa ocorreu no sábado, 11, o que originou sua internação no Hospital Allan Kardec. “Faz uns 20 dias, ele tentou se enforcar, mas eu consegui desamarrar a corda e salvá-lo. Dessa vez, ele estava com uma garrafa cheia de gasolina e iria colocar fogo nele mesmo”, contou Danuza.
Para sair da casa dos pais em Claraval e com medo de ficar sozinha para o resto da vida, Danuza se casou há três meses. O único eletrodoméstico da casa, uma geladeira velha, consome muita energia e faz a conta mensal chegar a R$ 45. “Além da luz, pago R$ 180 de aluguel e aproximadamente R$ 20 de água. Na verdade, eu já estava no escuro e sem água, tomava banho com a água que os vizinhos me arrumavam”, disse.
Danuza está disposta a arrumar um emprego, mas sente dificuldades por não ter experiência nem com quem deixar seu filho. “Já trabalhei na roça apanhando café, fui costureira e sapateira. Queria muito trabalhar numa fábrica, com carteira assinada, mas não consigo”.
Sem notícias do marido desde sábado, Danuza só poderá visitá-lo amanhã. “O médico só vai me atender para me falar que tipo de tratamento ele está fazendo na próxima segunda-feira às 10 horas. Tenho esperança que ele vai sair logo e que vamos conseguir um emprego. Nós dois trabalhando nossa vida será melhor”, disse.
Ontem pela manhã, ela decidiu procurar a rádio Difusora para pedir ajuda. Seu drama foi mostrado no programa Hora do Cacete, que vai ao ar às 11h. O apelo na rádio foi ouvido e, à tarde, algumas pessoas já haviam doado cestas básicas, caixas de leite, iogurte, bolachas, móveis e roupas. “Estou superfeliz. Agora tenho muita coisa para comer. Meu filho nem acreditou quando tomou um danone”, comentou.
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