Prefeitura abre caminho para a volta dos radares


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Para o próximo ano a previsão de receitas multiplica por seis os recursos oriundos de multas
Para o próximo ano a previsão de receitas multiplica por seis os recursos oriundos de multas
O Orçamento da Prefeitura de Franca para 2007 prevê uma verba mais de seis vezes maior do que a deste ano para o Fundo Municipal de Trânsito, alimentado pelas multas aplicadas na cidade. O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) estima arrecadar R$ 6,4 milhões em 2007 contra os R$ 880 mil deste ano. Em 2003, último ano em que os radares de fiscalização fotográfica ficaram ligados, a estimativa de receita das multas passou dos R$ 3,5 milhões, segundo balancete publicado no site da Prefeitura. O secretário de Finanças, Sebastião Ananias, diz que o aumento de 636,70% na previsão das verbas é uma estratégia para fazer acertos orçamentários no próximo ano, mas não descarta a volta dos radares e admite que pessoalmente “é a favor da reimplantação da fiscalização eletrônica”. A explicação de Ananias para multiplicar por seis as verbas oriundas de multas é no mínimo curiosa. “Amanhã, eu preciso de uma dotação. Eu pego do trânsito e remanejo para a Saúde e o vereador aprova sem discutir”, disse numa lógica questionável. Ele acredita que inflando os recursos do Fundo cria uma margem para que a Câmara aceite melhor possíveis remanejamentos de verbas no decorrer do próximo ano. Questionado se a previsão extraordinária de recursos não se baseia em planos para fazer os radares voltarem à ativa nas ruas de Franca, Ananias disse que “não conversou com ninguém na Prefeitura” sobre o assunto, mas não esconde ser um defensor do retorno dos equipamentos. “Eu defendo a idéia de que a religação dos equipamentos é uma questão de segurança e de disciplina do trânsito. É uma questão de segurança pública, mas não significa de maneira nenhuma que o prefeito tenha que assim fazer”, disse. Para que a fiscalização eletrônica volte a funcionar, a Prefeitura precisa pagar ou renegociar uma dívida de cerca de R$ 2 milhões com as empresas que operavam os radares. “Nos últimos três anos, os equipamentos estão desligados e não tem havido recurso nenhum proveniente das multas. Não estou dizendo que serão religados, mas pessoalmente defendo que sejam”, disse o secretário. INDÚSTRIA DE MULTAS A previsão de arrecadação com multas no próximo ano supera os valores arrecadados durante a gestão do ex-prefeito Gilmar Dominici (PT). Na época, o então radialista Sidnei Rocha (PSDB) era um contundente crítico do sistema de fiscalização eletrônica. Sidnei usava os microfones de sua rádio, quase diariamente, para condenar a ação dos radares, o que chegou a classificar, várias vezes, como uma verdadeira “indústria de multas”. NAS MÃOS DOS VEREADORES O Orçamento do município para 2007 será votado hoje pela Câmara Municipal. O projeto prevê gastos de R$ 298 milhões para o próximo ano, contra R$ 247 milhões em 2006. Somente na Prefeitura, a previsão é gastar cerca de R$ 277 milhões. O Uni-Facef (Centro Universitário de Franca), com R$ 9,6 milhões, a Faculdade de Direito de Franca, com R$ 7,5 milhões, o Sassom (Serviço de Assistência e Seguro Social de Franca), com R$ 3,1 milhões, e a Feac (Fundação de Esportes Arte e Cultura), com R$ 879 mil, são os responsáveis pelo restante das despesas.

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