Um dia após a publicação da matéria no Comércio, o ex-militante e atual servidor da Câmara Municipal de Franca, Itamar Alves dos Santos, 63, foi procurado por advogados oferecendo propostas de trabalho e por pessoas comuns pedindo ajuda. “Os advogados querem que eu entre com pedido de indenização, mas ainda não decidi nada sobre esse assunto. É tudo novidade para mim, fiquei surpreso com essa ‘fama instantânea”, disse.
Ramati, como era conhecido no período que antecedeu o golpe militar de 1964, foi preso, torturado e exilado em Israel após passar por Uruguai, Chile e Peru. Voltou clandestinamente ao Brasil em 1975. “Guardei meu segredo por 38 anos para proteger minha família. Queria morrer com esse segredo, mas quando minha sobrinha me achou em julho de 2005, tive que contar a verdade para minha família. Tinha medo que meus inimigos matassem ou fizessem algum mal para os meus familiares”, contou o ex-militante.
Itamar começou sua militância política aos 13 anos, em 1956, integrando a Juventude Operária Católica. “Meu tio era comunista e eu entregava o jornalzinho do movimento. No final da rua, ficava com um exemplar para eu ler. Fui me politizando, tomando consciência socialista”, disse. Foi filiado ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), de Leonel Brizola, e integrou movimentos estudantis como a Vanguarda Nacionalista, Grupo dos 11 e Juventude Universitária Católica. “Os jovens de hoje são alienados. Eles são baderneiros e não lutam por ideal. Faria tudo de novo, só teria mais cuidado para não ser preso”, explicou Ramati.
Ao ser questionado sobre o que espera do futuro, Itamar disse que só quer viver a vida em paz. “Quero continuar no meu trabalho e ter a oportunidade de dar palestras, para contar a minha história de vida e politizar mais essas crianças e jovens.”
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